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Unidos pelo forró, casais vivem parceria na vida e na arte

Casais que se conheceram no arrasta-pé, seja na pista ou no palco, contam as suas histórias com o ritmo genuinamente nordestino

Lula e Terezinha do Acordeon estão juntos há 37 anosLula e Terezinha do Acordeon estão juntos há 37 anos - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

O forró inspira o romance. Não é à toa que se dança agarradinho, de rostos colados e pernas intercaladas. A sintonia que flui nas pistas, às vezes, também está presente nos palcos. Quando arte e vida pessoal se entrelaçam, a música ganha o componente adicional do amor. Por isso, não faltam exemplos de casais unidos pelo mais nordestino do ritmo.

É o caso de Terezinha e Lula do Acordeon. Há 37 anos, eles compartilham não apenas o sobrenome artístico, que prova a intimidade de ambos com o instrumento musical de teclas. A história desse relacionamento se confunde com a do forró produzido em Pernambuco. Tanto o marido quanto a esposa contribuíram significativamente para a cena forrozeira.

Nascida em Salgueiro, Terezinha mudou-se para o Recife em 1970. Aprendeu a tocar sanfona com 12 anos de idade, ainda na sua cidade de origem. Aos 15, formou um grupo musical com colegas de escola, entre eles, o escritor Raimundo Carrero. Mas o primeiro casamento a fez abandonar a carreira artística, retomada apenas em 1983. Foi quando o seu caminho se cruzou com o de Luiz Joaquim de Santana, mais conhecido como Lula.

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"A gente se conheceu através do músico Luizinho do Xaxado. Acabamos formando um grupo. Ela cantava, eu tocava sanfona e tínhamos mais três instrumentistas, até que eu decidi parar, por volta de 1989", conta Lula, que agora se dedica exclusivamente ao ofício de afinador de acordeon. "O serviço de conserto só aumentava. É um trabalho difícil, artesanal, que leva muito tempo. Então, tive que largar os palcos", explica. Nessa altura, ele e Terezinha já haviam deixado de ser apenas parceiros musicais.

Sem querer procurar outro sanfoneiro para acompanhá-la nos show, Terezinha resolveu que ela mesma assumiria essa tarefa. "Recife já tinha um monte de cantoras fazendo sucesso, todas com vozes maravilhosas. Eu queria fazer a diferença. Meti a cara e entrei nesse Clube do Bolinha, porque naquela época só homens costumavam tocar sanfona no forró", relembra a artista.

As residências onde o casal já morou sempre serviram como ponto de encontro para os forrozeiros. "Já recebemos muita gente, como Elba Ramalho, Anastácia E Genival Lacerda. Quando a gente menos espera, aparece alguém e a festa começa", aponta Lula. Entre os músicos mais jovens, Terezinha é tida como uma madrinha, por conta de seu incentivo e cuidado maternal.

Lula não costuma dar opiniões sobre o trabalho da companheira. “Musicalmente falando, ela tem a cabeça dela e eu respeito muito. Posso apontar algo que não gostei, porque ela não vai se chatear, mas prefiro não me meter”, afirma. Mas quando tem alguma dúvida técnica, é ao marido que Terezinha recorre. “Digo sempre que o instrumentista da casa é ele. Se não souber de alguma coisa, claro que vou perguntar”, confessa.

Na vida e na arte

Também foi a carreira musical que aproximou Andrezza Formiga e Roberto Cruz. "Em 2000, eu montei uma banda com alguns parceiros, chamada Casa de Couro. A gente precisava de uma cantora para me acompanhar nos vocais e assim eu conheci Andrezza", conta o forrozeiro. Em 2010, o namoro iniciado nos bastidores dos shows se transformou em casamento, que de lá para cá já gerou dois frutos: um filho de seis anos e uma filha de um.

O grupo chegou ao fim em 2004, mas o casal seguiu na estrada, agora em projetos individuais. Como compositor, Roberto criou músicas para nomes como Flávio José, Santanna, Nádia Maia e Irah Caldeira. Em paralelo, a trajetória como cantor contabiliza vários CDs lançados. Já Andrezza, ficou entre as finalistas do Prêmio da Música Brasileira, no ano passado, na categoria regional.

Roberto Cruz e Andrezza Formiga se conheceram na banda Casaca de Couro

Roberto Cruz e Andrezza Formiga se conheceram na banda Casaca de Couro - Crédito: Jose Britto/Folha de Pernambuco



Mesmo não estando mais juntos em uma banda, a contribuição entre os dois artistas se mantém. “Produzimos muitas coisas em parceria. Temos um estúdio em casa e lá a gente grava, edita e ensaia. É inevitável um participar do trabalho do outro”, diz Roberto, que sonha um dia gravar um álbum em parceria com a amada. "O nome seria ‘Na vida e na arte’, porque foi assim a nossa história. O forró promoveu esse encontro", adianta.

Segundo Andrezza, é comum as pessoas se confundirem achando que ela e o esposo formam uma dupla. No entanto, ela enfatiza a independência dos dois trabalhos. "Se você parar e ouvir, vai perceber que as obras são completamente diferentes. Ainda que eu grave uma composição dele, eu gosto de fazer do meu jeito, sentar no estúdio e gravar como eu quero", revela.

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