Valéria Vicente estreia novo solo no Festival de Dança do Recife

Trabalho em processo "Re/in-flexão" será encenado em apresentação única neste sábado (28), às 19h, no Teatro Hermilo

Valéria Vicente em "Re/in-flexão"Valéria Vicente em "Re/in-flexão" - Foto: Ju Brainer/Divulgação

É no embalo do frevo que seguem a carreira artística e a trajetória acadêmica para a artista, passista e pesquisadora pernambucana Ana Valéria Ramos Vicente. Fundadora do Acervo RecorDança e professora da Universidade Federal da Paraíba, ela estreia novo trabalho dentro do Festival de Dança do Recife, com apresentação única neste sábado (28), às 19h, no Teatro Hermilo Borba Filho, no Bairro do Recife.

Em "Re/in-flexão", a criação da dança dentro do frevo e fora dele são colocadas em cena por Valéria, que foi dirigida por Sérgio Oliveira, que já morou em locais como Barcelona e fez sua carreira, entre outros temas, pesquisando sobre o candomblé. "Era um trabalho curto, como um dos resultados práticos para o meu doutorado, que comecei a mostrar em eventos, congressos e festivais. Fui coletando cenas, fazendo improvisações e foram surgindo novos elementos", pontua Valéria Vicente.

Assim como em outros solos protagonizados por ela, como "Pequena subversão", contemplado com o programa Rumos Itaú Cultural - Dança, em 2007, a improvisação dá o tom.



"Continua sendo um jogo, só que mais estruturado. Por ser um trabalho em processo, é único a cada vez que for apresentado, mas existe uma estrutura mínima, em que o movimento vai surgindo na hora", ressalta a artista, que dança ao som de trechos da trilha sonora criada para "Fervo", em 2006, e a quatro mãos por Silvério Pessoa e Yuri Queiroga, para o solo de 2007.

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Depois desta fase, Valéria Vicente continuou pesquisando. Se naquela época o ponto principal era a alegria como um aprendizado e um risco, em 2009 veio um DVD sobre ensino de frevo e saúde corporal dos passistas, desenvolvido em conjunto por ela e o bailarino e fisiotrapeuta Kiran, seguido do livro "Frevo para aprender e ensinar". Em 2014, Val Vicente retornou aos palcos, só que desta vez ao lado de um time afiado de artistas, que incluía Flaira Ferro, Spok e Lucas dos Prazeres, no espetáculo "Frevo de Casa".

Em "Re/in-flexão", além da improvisação dos movimentos, Valéria insere algumas falas, em que relaciona o frevo com a violência. Ela fez ensaios abertos com outros artistas, como Flaira Ferro e Ferreirinha. Com Flaira, que além de bailarina, é cantora e compositora, veio esta ponte entre som e dança. E Valéria traz para a cena um instrumento de sopro de origem africana, o kazoo.



"Faço esta relação do som com o movimento, e vou criando a música que danço. É um instrumento simples, sem nota, de vocalização", explica ela. Já com Ferreirinha, do Brincantes da Ladeira, que fez parte da pesquisa de campo para o doutorado de Val, veio mais um olhar, de alguém que defende um frevo "mais puro".

"Sempre trocamos ideias e ele sempre me acompanha. Ele faz um frevo mais voltado para a rua e discuti com Ferreirinha os pontos mais importantes, como ele chegava para a minha abordagem", coloca. Em 2018, no Janeiro de Grandes Espetáculos, Valéria Vicente estreia o outro resultado artístico de seu doutorado - que finaliza em 2019, intitulado "Ebulição".

Serviço:
"Re/in-flexão", com Valéria Vicente e direção Sérgio Oliveira
Teatro Hermilo Borba Filho (Cais do Apolo, Bairro do Recife)
Neste sábado, às 19h
Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada)
Informações: (81) 3355-3320

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