'Vice', favorito ao Globo de Ouro, é retrato ácido de Dick Cheney

Filme dirigido por Adam McKay, traz o ator Christian Bale no papel do controverso ex-vice-presidente de George W. Bush

Christian Bale ficou irreconhecível para o papel em "Vice"Christian Bale ficou irreconhecível para o papel em "Vice" - Foto: Vice/Divulgação

Como tecnocrata que prioriza a discrição, "Dick Cheney não era um cara que buscava que fizessem um filme sobre ele", afirma Adam McKay, diretor e roteirista de "Vice", a produção biográfica consagrada à ascensão política do controverso ex-vice-presidente de George W. Bush.

Mas graças a uma gripe que deixou McKay de cama por vários dias, ele acabou devorando um livro sobre Cheney, "que não parou de me surpreender pela forma como mudou profundamente o curso da história dos Estados Unidos", explicou recentemente na apresentação de seu filme, que estreia oficialmente nos Estados Unidos, nesta terça-feira (25 de dezembro).

"Vice" já coleciona indicações para os principais prêmios do cinema (número um para o Globo de Ouro com seis categorias) e pode faturar o Oscar de Melhor Ator. Pois foi, sobretudo, o trabalho de Christian Bale, irreconhecível sob muitas camadas de maquiagem e com 20 quilos a mais para interpretar Cheney "com sinceridade", que entusiasmou os críticos.

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"Encarna a essência de Cheney", resume a Rolling Stone, enquanto a Variety o chama de "talentoso". "Christian Bale captura o personagem de Dick Cheney - seco, sarcástico, falsamente maçante (...) - com um brilhantismo que se aproxima da perfeição", escreve o site especializado.

"É uma personalidade muito forte, incrivelmente sólida, e, de certa maneira, ele entendia - talvez mais do que ninguém - como fazer funcionar as engrenagens do governo", explicou Bale sobre o ex-vice-presidente, a eminência grisalha de George W. Bush de 2001 a 2009. Encarnação da linha dura dos neoconservadores americanos, Cheney também foi secretário da Defesa de 1989 a 1993, durante a primeira Guerra do Golfo (1991).

Não apenas foi criticado pela sua política, como também por suas afirmações sobre a presença de armas de destruição em massa no Iraque, e sua justificativa da tortura, chamando de "técnicas melhoradas de interrogatório". Cheney, de 77 anos, também foi suspeito de conflito de interesses: quando se candidatou a vice-presidente, em 2000, era diretor executivo da Halliburton, a segunda maior companhia petroleira do mundo, que enriqueceu graças à segunda guerra do Iraque, em 2003.

Vilão de desenho animado

"Vice" mistura os episódios entre o homem de negócios e poder na Casa Branca com o jovem originário de Wyoming, beberrão e bruto, que foi expulso da Universidade de Yale.

A sua salvação se deve a sua esposa Lynne, vivida no filme por Amy Adams, cuja atuação também provocou aplausos de muitos críticos, assim como a de Sam Rockwell, que interpreta o presidente George W. Bush, um pouco perdido nos labirintos do poder, e de Steve Carell, caracterizado como Donald Rumsfeld.

Contudo, as opiniões estão muito mais divididas sobre a produção em si. Embora muitos tenham se mostrado entusiasmados com o trabalho de McKay, alguns críticos falam de uma visão superficial e caricatural de Cheney, convertido "em um vilão de desenho animado", segundo a revista Time.



A principal crítica da Variety é que o filme nunca responde a pergunta de "Quem é Dick Cheney?". "O público deve se contentar com conceitos como cobiça e poder". No entanto, o diretor insistiu que "desde o início teve a vontade de humanizar esses personagens, de se aprofundar neles, de entendê-los".

No meio do caminho entre farsa burlesca e tragédia, o filme pode se desestabilizar por sua quantidade de recursos: repetição de "flashbacks", voz off, aparições surrealistas durante a história, Cheney se dirigindo diretamente ao espectador.

McKay "criou algo que realmente rompe as convenções (...) É necessário porque o que vemos na tela pode ser muito triste e traumático", argumentou Bale. Segundo Carell, um dos pontos fortes deste filme é "que é muito contemporâneo, muito atual".

"Os espectadores farão, forçosamente, a conexão entre o passado e o que está acontecendo agora", assegurou o ator, sem citar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

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