[Vídeo] Estilista e cenógrafo Victor Moreira ganha biografia

Livro, que será lançado nesta quarta-feira (28), relata sua trajetória dos palcos do teatro até a alta sociedade

Victor Moreira está cercado de memórias em seu apartamentoVictor Moreira está cercado de memórias em seu apartamento - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

Quando o estilista Victor Moreira conheceu Fazenda Nova, em 1953, encontrou um espetáculo de Páscoa cuja estrutura pouco se assemelha a que existe hoje. Seu trabalho de aperfeiçoamento dos figurinos, acolhido pelo casal Diva e Plínio Pacheco, foi fundamental para transformar aquela encenação familiar e, até então, precária na "Paixão de Cristo de Nova Jerusalém", espetáculo que atrai uma multidão de espectadores há mais de 60 anos.

E essa é apenas uma das tantas frentes de atuação do artista, cuja trajetória foi registrada pelo pesquisador e diretor Marcondes Lima no livro "A arte de Victor Moreira". A publicação será lançada pela Cepe Editora nesta quarta-feira (28), às 19h, no Museu do Estado de Pernambuco.

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Perto de completar 84 anos, que vão ser comemorados no dia 3 de março, o biografado vive em um apartamento decorado com memórias. No local, castiçais, tapetes e outros objetos adquiridos em viagens dividem espaço com fotografias antigas, troféus e desenhos de roupas criadas pelo figurinista. São fragmentos de uma história que teve início na efervescência de Olinda, cidade onde o artista nasceu e passou parte da infância.

Foi no Cine Olinda, que pertencia ao seu avô materno, que ele conheceu o mundo das artes. Além da inspiração transmitida através dos filmes, lá ele conheceu seu primeiro mestre. "Quem me ensinou os primeiros desenhos foi Bajado. Ele fazia a ilustração para divulgar os filmes que chegavam para vovô. Ainda criança, eu ficava impressionado com a sua versatilidade", relembra.

Confira o vídeo:


Victor já desenhava alguns vestidos para as irmãs quando o teatro cruzou o seu caminho. Trabalhando como escriturário auxiliar na Secretaria da Fazenda, era colega do futuro diretor e ator Luiz Mendonça, cuja família tinha o costume de encenar "O drama do calvário", no Brejo da Madre de Deus. "Ele fez o convite para conhecer esse costume da família dele, e eu aceitei. Parece que Deus traçou o caminho para eu chegar em Fazenda Nova", conta. As primeiras apresentações tinham recursos escassos, e o figurinista precisou improvisar.

"A gente não tinha nada. Era Dona Sebastiana, a matriarca, que costurava as roupas. Eu fazia as coroas dos nobres com lata de doce e alumínio de embalagem de bolacha. Os enfeites eram feitos com grampo de papel e muitos detalhes das roupas dos soldados romanos foram produzidos como puxadores de gaveta", revela. Hoje, ele divide a concepção dos trajes com Marina Pacheco e conta com muito mais aporte para dar asas à imaginação. "Esse ano, por exemplo, estamos importando joias do Oriente", antecipa.

Mas a "Paixão de Cristo" não foi o único grande feito da carreira de Victor. Além de desenhar vestidos para as mulheres da alta sociedade pernambucana, ao longo de três décadas, colaborou com diversos jornais brasileiros como repórter de moda. Na televisão, ele estampou seu rosto como apresentador do programa "Isto é elegância", em 1964, ao lado da atriz Heloisa Helena. "Passava às 17h horas, na TV Rádio Clube. Eu escolhia a trilha sonora, levava objetos meus para o cenário. Gostava de dar requinte a tudo", diz.

No teatro, o figurinista e cenógrafo ajudou a levar aos palcos outros temas fora do contexto religioso. Apresentado ao diretor Clênio Wanderley por Luiz Mendonça, Victor passou a assinar obras para o Teatro Adolescente do Recife. A mais importante delas foi a primeira montagem de "O auto da Compadecida", de Ariano Suassuna, que acabou vencendo o Festival de Amadores Nacional, em 1957, no Rio de Janeiro. Na década de 1960, passou a trabalhar também com o Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP), assinando o vestuário de peças como "Macbeth", "Yerma" e "Bob e Bobete".

Serviço:
Lançamento "A arte de Victor Moreira"
Cepe Editora, 172 páginas, R$ 25 (livro físico), R$ 8 (e-book)
Na quarta-feira (28), às 19h
No Museu do Estado de Pernambuco (Av. Rui Barbosa, 960, Graças)

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