Vídeo: frevo e passinho em encontro de ritmos

Semelhanças e diferenças em danças que unem a tradição pernambucana ao estilo de funk carioca



Duas danças, com origens, trilhas sonoras e passos diferentes, mas com muito em comum. De um lado, o tradicional frevo pernambucano, com seus 110 anos de história comemorados no último dia 9 de fevereiro. Do outro, o passinho carioca, surgido nos bailes funk do subúrbio do Rio de Janeiro, há cerca de 12 anos, e que já alcança a terceira geração de bailarinos. Juntos, são duas formas de expressão da cultura brasileira que mereciam maior reconhecimento e que guardam, entre si, mais semelhanças do que o espectador possa supor. Um intercâmbio inédito entre estes artistas - de Pernambuco e do Rio de Janeiro - está sendo realizado nesta semana em espaços como o Paço do Frevo, museu na Praça do Arsenal, no Recife Antigo.

Foi lá que a equipe da Folha de Pernambuco acompanhou debate e demonstração das coreografias, como uma espécie de "duelo" artístico, revelando onde o frevo e o passinho se aproximam e se afastam. Para conversar com mais detalhes sobre os dois gêneros de dança, batemos um papo com os bailarinos Jefferson Figueirêdo, atuante no Recife, e Igor Imperador, o cantor da Cia de Dança Passinho Brazil. O grupo carioca apresenta duas sessões do espetáculo "Favela Digital", com coreografia de Henrique Talmah, neste sábado (29), na Caixa Cultural Recife, às 17h e às 20h. A sessão desta sexta-feira (28) foi cancelada e transferida devido à greve geral dos trabalhadores no Brasil. As oficinas relacionadas ao projeto também foram adiadas: as aulas agora ocorrem no sábado (às 14h, de passinho, e 15h, de video mapping - uma espécie de projeção de vídeo em objetos ou superfícies irregulares, como fachadas de edifícios. No caso do passinho, a técnica ajuda a sobrepor uma narrativa virtual à real, que ocorre em cima do palco).

Jefferson Figueirêdo fez as primeiras apresentações de frevo aos 9 anos de idade. Hoje, aos 27, ele tem Licenciatura em Dança pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
e é professor de Frevo-Pilates do Paço do Frevo, onde segue uma metodologia voltada para preparar outros artistas para ter força muscular e melhor consciência corporal. E também integra companhias como o Artefolia, dirigido por Marília Rameh, e que no segundo semestre se apresenta em San Diego, na Califórnia (EUA); a Cia dos Homens, de Claudia São Bento, e o projeto Dança Amorfa, com Claudio Lacerda. Jefferson ainda desenvolve pesquisa sobre criação em dança dentro do frevo na Pós Graduação em Estudos Contemporâneos em Dança na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, onde passará o mês de julho tendo aulas. "A cena do frevo vem se fortalecendo e estão aparecendo novos talentos. O Paço do Frevo é um dos lugares que ajuda nesta mobilização em várias linguagens", opina o pernambucano.

Já Igor Imperador, 23 anos, é considerado uma relíquia pelos colegas da Cia de Dança Passinho Brazil, por ser um dos mais velhos no grupo atualmente. A média de idade dos integrantes vai dos 18 aos 22 anos. O elenco que veio a Pernambuco tem 10 bailarinos e ainda Igor, que é o MC. Ele, que é da comunidade de Manguinhos, no Rio, já se apresentou em locais prestigiados, como o Teatro João Caetano e cidades do Exterior, como Nova York e Londres. "Primeiro, o passinho começou com a criançada fazendo, depois chegou nos bailes. E, hoje, já estamos formando professores", avalia Igor, orgulhoso de sua trajetória e da dos colegas dançarinos.

O frevo e o passinho se assemelham nas cruzadas de pernas, em ritmo rápido, acelerado. É um mix corporal dos movimentos, em que o dançarino sobe e desce rapidamente, indo do plano alto para o baixo em frações de segundos. Quem assiste à coreografia depois fica se perguntando como foi possível fazer os passos. E é neste sentido, de trocar e ajudar a decodificar o que cada dança traz de peculiar que o encontro entre artistas dos dois estados pode ser enriquecedor.

Serviço:
"Passinho Brazil – Favela Digital"
Onde: Caixa Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife)
Informações: (81) 3425-1915 (bilheteria) / 3425-1906 (inscrição nas oficinas)
Quando: Neste sábado, às 17h e às 20h
Ingressos: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia-entrada)
Duração: 50 minutos
Classificação indicativa: Livre
Acesso para pessoas com deficiência

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