[Vídeo] Tâmara Dornelas: o sonho de viver da dança

A paixão segue a lógica e segue ultrapassando limites

Tâmara, que fez parte de sua formação no Rio de Janeiro, quer conquistar espaço em outras companhias no exteriorTâmara, que fez parte de sua formação no Rio de Janeiro, quer conquistar espaço em outras companhias no exterior - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Passos, saltos e giros são feitos com elegância, destreza - e esforço. Quem vê uma bailarina se apresentar pode não ter ideia do quanto este caminho é árduo. Além da exigente rotina de exercícios e ambiente competitivo, há uma percepção crítica muito forte sobre o próprio corpo, sempre no limite do detalhe. Sim, o joelho tem que estar esticado ao máximo para que seja considerado perfeito. Nada abaixo é aceito. Calos? A bailarina também tem, porque nem tudo foi parar na música de Chico Buarque. A paixão foge à lógica e segue ultrapassando limites. Ou, pelo menos, essa é uma tentativa de explicar porque Tâmara Dornelas se dedica à arte.

Tâmara volta hoje à noite à Áustria, para a Cia Europa Ballet, onde participa do elenco há mais de um ano. Diferente das companhias brasileiras, lá o posto de primeiro bailarino muda a cada peça, e a jovem já ocupou o cargo diversas vezes. “Fui para passar três meses. Certa que seria só isso. Iria voltar, mas disse para mim mesma que nesse período, daria meu sangue”, conta a bailarina. “E gostaram muito de mim, do meu desempenho. Assim, me convidaram para passar um ano e renovamos o contrato agora por mais um ano”, acrescenta. Amanhã, logo cedo ela, retorna à rotina de segunda-feira a sábado, com seis a oito horas de ensaios. Na próxima apresentação, será uma das três solistas de “La Chambre”, do italiano Renato Dornella.



Palhaço Chocolate
Filha de uma cantora e um palhaço, Tâmara convive com o palco desde pequena. Aos dois anos, ao acompanhar seu pai, Ulisses (o Palhaço Chocolate), que apresentava uma disputa de frevo, a menina invadiu o palco e ensaiou tesouras e dobradiças. Em 1998, ainda desconhecida, Tâmara foi escolhida campeã pelo público. “Eu não falei que era minha filha, e como ela tinha entrado por vontade própria, deixei que ficasse”, relembra o pai. Diretor rigoroso, ele deixou que ela participasse de espetáculos no teatro. “Sua primeira peça foi ‘Sonho de Primavera’. Ela estreou como o mosquito, mas com seu charme foi roubando a cena e conquistando outros papéis. Virou uma das flores, depois, foi o espantalho. Desde pequena, ela está acostumada a se superar. E, assim, foi conquistando mais espaço”, testemunha Ulisses.

Praticando desde os três anos, hoje aos 20, a bailarina se considera muito próxima de seu maior sonho. “Porque venho batalhando desde pequena. A partir do momento em que escolhi esta carreira, venho trabalhando nisso. Então, chegar aonde cheguei: estar em outro país, tendo o reconhecimento que não esperava, eu já me sinto realizada”, descreve-se. “O próximo passo é trabalhar ainda mais e tentar conquistar espaço em outras grandes companhias. Espero que na Alemanha”, revela.

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Tendo como ícones Ulyana Lopatkina, Polina Semionova e Ana Botafogo, a artista sonha também em viver da dança aqui no Brasil. “Desejo estar no meu país, perto da minha família e amigos. A gente, que decide seguir a carreira artística, tem que abrir mão de muita coisa para conquistar reconhecimento. É triste que a gente precise sair daqui para isso”, pontua.

Durante sua breve volta para o Brasil, a bailarina visitou o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, cidade onde realizou parte de sua formação. “A situação lá está decadente. É horrível usar essa palavra, mas é verdade. Ver bailarinos ir ao teatro buscar cestas básicas, porque o lugar está sem água, sem luz. Uma situação realmente terrível”, denuncia. Nessa viagem, Tâmara chegou a ver colegas se apresentarem por trocados. “O ingresso custava um real. Cada vez mais querer viver de arte é uma luta de resistência".

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