Vilões da 'Paixão de Cristo' de Nova Jerusalém falam sobre seus papéis na temporada 2018

Espetáculo no Agreste do Estado segue em cartaz, diariamente, até dia 31 de março

Tonico Pereira (Anás) e José Barbosa (Judas) em cena da montagemTonico Pereira (Anás) e José Barbosa (Judas) em cena da montagem - Foto: João Tavares/Divulgação

Com mudanças nos figurinos e cenários como no Fórum de Pilatos e Palácio de Herodes, além da renovação do elenco, começa hoje, em sessão restrita para convidados, a temporada do espetáculo da "Paixão de Cristo" de Nova Jerusalém, em Brejo da Madre de Deus, no Agreste pernambucano.

Na pele de Jesus, o pernambucano Renato Góes, 31 anos, ao lado de nomes como Kadu Moliterno (Pilatos), Victor Fasano (Herodes), Tonico Pereira (Anás), Nicole Bahls (Herodíades), Rita Guedes (Madalena) e Fabiana Pirro (Maria). A partir de amanhã até o dia 31, as sessões começam diariamente às 18h, mas os portões são abertos às 16h. Entrevistamos Tonico Pereira e José Barbosa, atores que interpretam dois dos "vilões" notáveis e fundamentais a representar mais fortemente o mal que rondava Jesus.

Ligação forte com Pernambuco

O veterano ator Tonico Pereira, de 69 anos, famoso por seus papéis na televisão (que vão do cômico Zé Carneiro, do "Sítio do Picapau Amarelo", ao malandro Ascânio da novela "A Regra do Jogo"), também é aclamado no cinema e no teatro, onde já representou dezenas de filmes e peças. Nesta montagem da "Paixão de Cristo" de Nova Jerusalém, ele foi convidado para interpretar Anás, o sogro de Caifás.

Ambos eram sumos sacerdotes, ou seja, eram líderes importantes dentro da sociedade judaica e temiam a figura revolucionária de Jesus, porque Ele ameaçava tanto as autoridades religiosas como a ordem pública da época. "Anás é um personagem-cabeça dentro do espetáculo, mas tem uma atuação na sombra, palaciana, por assim dizer. É ele quem vai escrever a condenação de Cristo", afirma Tonico, nascido em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro.

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O ator conta de sua alegria em ter recebido o convite. "Tenho uma ligação muito forte com a cultura pernambucana, e meu grande mestre foi o diretor Luiz Mendonça, o primeiro intérprete de Jesus em Nova Jerusalém. Foi ele quem me ensinou a encarar o teatro e a vida com liberdade", relembra, emocionado.

Tonico diz que está encantado com a atmosfera da cidade cenográfica, onde conversa com os figurantes e vivencia o dia a dia do interior. "Isso torna minha vida mais profunda, e essa experiência levo comigo, inclusive para aplicar elementos a meus personagens, muitos dos quais são populares, como Cancão de Fogo, Lampião e muitos outros", descreve.

Ao saber que é muito querido em Pernambuco e que as pessoas estão ansiosas para vê-lo em ação, ele dá uma risada e brinca: "não esqueça de avisar à produção, para subirem meu cachê". Completamente à vontade, Tonico finaliza dizendo que, neste trabalho, está em sua praia emocional. "Agora, é só mergulhar".

José Barbosa, ator pernambucano

José Barbosa, ator pernambucano - Crédito: Divulgação


Consciência humana

O pernambucano José Barbosa, de 38 anos, interpretou Jesus entre 2012 e 2014, e já está em seu quarto ano como Judas, um dos personagens de maior destaque no roteiro da "Paixão de Cristo". "Para mim é um papel fantástico. Judas teve a função de entregar Jesus e, assim, permitir que o Cristianismo surgisse. Ele é o ponto de ignição dessa história de morte e ressurreição", aponta. É um dos "vilões" mais detestados da História, tanto que se criou a tradição da malhação do Judas.

"Ninguém coloca esse nome no filho", aponta Barbosa. Ainda assim, o ator enxerga a beleza do papel que o discípulo de Jesus teve que cumprir. "Ele era muito próximo de Jesus, e seria a única pessoa capaz de segurar esse fardo. Existem muitas interpretações para o ato que ele cometeu. Talvez Judas pensasse que Jesus era tão poderoso que não seria preso e assassinado, e que, ao contrário, Ele faria uma revolução para libertar o povo hebreu", descreve.

Barbosa compara as experiências do calvário vivenciado como Cristo e como Judas. "A crucificação leva um tempo longo, e antes dela a gente sofre, leva pancadas e chega a sentir dor de verdade. A gente passa quase dez minutos equilibrando todo o peso do corpo em cima de um pé só, e isso exige preparo físico. Mas, em cena, por conta da energia do público, sentimos um vigor impressionante. Já o enforcamento é muito tenso, e isso é mostrado no corpo, no olhar. Quando ele conversa com a própria consciência, é algo muito pesado. Saio de cena destruído", confessa.

O ator diz que sempre se emociona durante a apresentação. "O público grita e insulta durante todo o espetáculo. Mas, na cena solo de Judas, quando ele está prestes a se suicidar por não aguentar o peso do resultado de suas ações, há um silêncio generalizado. O fato é que Judas é um personagem muito humano, e as pessoas se identificam. Todos, em maior ou menor grau, trazem um Judas dentro de si".

Serviço:
"Paixão de Cristo"

Nova Jerusalém, Fazenda Nova, Brejo da Madre de Deus
www.novajerusalem.com.br
De 24 a 31 de março, diariamente, às 18h
Entrada: de R$ 100 a 140, dependendo do dia, com meia-entrada 

 

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