Visibilidade para as mulheres da música

Profissionais da cadeia produtiva se encontram para rodas de diálogo e show no Terra Café, sexta e sábado, a partir das 18h

Os ministros do governo Temer e o senador Armando Monteiro Neto (PTB) durante ato em CaruaruOs ministros do governo Temer e o senador Armando Monteiro Neto (PTB) durante ato em Caruaru - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

 Criado para dar destaque ao trabalho das musicistas, o projeto Sonora - Ciclo Internacional de Compositoras promove o encontro de mulheres da cadeia produtiva da música ao redor do mundo buscando desmistificar a fragilidade feminina na área. Pela primeira vez no Recife, a iniciativa será realizada nesta sexta (28) e sábado (29), sempre a partir das 18h, no Terra Café Bar, na Boa Vis­ta, despertando o debate sobre o papel das mulheres no cenário local da música. 

“O meio musical é majorita­riamente masculino e isso faz dele um meio muito machis­ta, ser uma mulher, entre tan­tos homens, tem me leva­do a questionar a nossa presença na cena. Sinto a falta de mulheres na linha de produção, fazendo mesa de som, P.A., como roadie. Acho que fal­­ta estímulo e subestimam a gente, já ouvi comentários de que a mulher não pode ser roadie, porque não pode carregar peso”, exemplifica a compositora Sofia Freire, à frente da edição recifense do Sonora, que também foi idealizado por Mayra Clara Vitorino e pelas produtoras Elayne Bione e Marah Rúbia.

Hoje, o evento contará com o depoimento da roadie Julia Andrade, que falará dos caminhos e dificuldades da sua atividade, que é um dos segmentos da música mais dominado pelos homens. O roadie, além de carregar os instrumentos, também ajuda na afinação e colocação deles no palco. A roda de diálogos de hoje conta com a experiência da produtora Mery Lemos, que cuida da carreira de artistas como Juliano Holanda e Isadora Melo. Os ingressos custam R$ 10.

“Já passei por tentativas de me fazerem de besta, mas nun­ca tive grandes problemas, pois sempre tive interes­se de saber com o que eu es­tava lidando, estudei mui­to. Então, quando chego em fes­tivais em que tenho que tra­tar da parte técnica com ho­­mens, falamos a mesma língua. Já traba­lhei até com contratantes que preferiam trabalhar com mulheres, porque achavam que temos um olhar mais macro”, comenta Mery, que acredita que um dos gargalos da Cidade é que as mulheres da música não se reconhecem.

Buscando corrigir esse enga­no, a produtora planeja lan­­­çar o projeto “Kaffe Klatsch” em novembro para viabilizar encontros mensais entre profissionais do ramo. “A expressão significa encontro de mulheres e a intenção é provocar as meninas da música para a gente se conhecer”, resume ela. A pro­gramação do Sonora no Recife também conta com shows de artistas locais, co­mo Bia Lócio, Laís de Assis e Catarina Dee Jah, que irá se apre­sentar co­mo MC Ririca.

“Quando fui fazer meu primei­­ro disco, realmente não sa­­­bia de nada, então aguentei muita grosseria, mas hoje é uma coisa superada e conse­­gui conquistar o respeito e admiração da galera. Uma coi­­sa que acontece em Pernam­buco eu ainda me oprime, é que aqui é uma cidade muito provinciana, por mais que se considere referencial. Aqui pesa mais ser bem rela­cio­nado do que o pro­­fissiona­lismo. Não sou uma DJ de muita técnica, mas tenho um trabalho de pesquisa grande e isso não é levado tão em con­ta”, observa Catarina, que fará o encerramento do evento a­ma­nhã. O Sonora conta com o apoio da Dozão e Secretaria da Mulher de Pernambu­co.

 

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