Volta de “Magnífica 70” na HBO

Segunda temporada da série, que se passa durante o período da ditadura militar, estreia neste domingo

Bye Bye AlemanhaBye Bye Alemanha - Foto: Divulgação

É comum falar sobre o crescimento do cinema nacional, o amadurecimento de temas e estilos em filmes recentes e desafiadores como “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho, e “O Silêncio do Céu”, de Marco Dutra. Menos comum, mas cada vez mais intrigante, é a produção nacional de séries, projetos gradualmente mais autorais e interessantes. Estreia neste domingo, às 22h, no canal por assinatura HBO, a segunda temporada de “Magnífica 70”, com direção geral de Cláudio Torres, com Carolina Jabor, Claudia Fagundes e Arthur Fontes.

A ideia da série, cuja primeira temporada com 13 episódios estreou ano passado, é narrar histórias em um momento específico e contraditório da história do Brasil: a produção artística durante a Ditadura Militar, o impacto dos movimentos culturais Boca de Lixo e Pornochanchada na época de repressão intelectual e moral. “A premissa da série instiga porque é provocativa e ao mesmo tempo absurda, permite observar um tempo conturbado da nossa história”, diz Cláudio, em entrevista por telefone a Folha de Pernambuco.

O enredo conta a trajetória de Vicente (Marcos Winter), que trabalha no Departamento de Censura Federal do Estado de São Paulo. Ele tem uma vida rigorosa e entediante, casado com Isabel (Maria Luisa Mendonça), filha de um general. Durante a avaliação de um filme de pornochanchada, algo de especial ocorre, um grande impacto emocional, uma fascinação despertada de forma surpreendente ao ver em cena a atriz Dora Dumar (Simone Spoladore), que provoca mudanças em sua percepção de vida.

Vicente passa a ter uma vida dupla, trabalhando para os militares e ao mesmo tempo na Boca do Lixo, com Dora e Manolo (Adriano Garib). “Tenho 53 anos, então minha infância e adolescência foi durante a ditadura. Era muito frustrante, angustiante e pesado ter alguém decidindo o que as pessoas podiam ver. Muita gente morreu, muita gente foi torturada. Então essa série lembra daquilo que não podemos esquecer”, ressalta o diretor.

Atores
“Quando comecei a ler o roteiro fiquei surpreso com a imaginação deles, que não parecia ter fim - tanto que vem aí a segunda temporada, mais surpreendente e pesada”, diz Marcos Winter, que retorna ao personagem Vicente. “Essa nova temporada começa um ano e meio depois da primeira. Todos estão diferentes, e, aos poucos, o espectador vai entendendo os motivos. A primeira temporada foi uma surpresa, a segunda dobrou as expectativas. É como se os personagens passassem da adolescência para a maturidade, afundando cada vez mais”, sugere. “Sou um diretor que gosta de trabalhar com atores”, diz Claudio. “A gente conseguiu tempo para imprimir um estilo. Queríamos encontrar um equilíbrio entre o humor negro e o suspense, o tom certo. Para a segunda temporada isso foi mais fácil porque já existia a história, os personagens”, destaca.

Época
A série leva o espectador para os anos 1970 - o cinema independente, a ditadura, a resistência cultural - através de roupas, gestos e cenários. “Foi um trabalho em equipe. A fotografia teve um tratamento especial, para que remetesse à época. A gente decidiu que ‘estragaria’ as imagens já na captação, para que elas não ficassem ‘limpas’, através de filtros e outros artifícios. Foi um processo de dedicação quase artesanal”, ressalta.

Novidades
Esta etapa de “Magnífica 70” apresentará, em 10 episódios, a progressão da história, as repercussões dos eventos da temporada inicial. “É o segundo ato, que na dramaturgia clássica é o que se segue depois do falso triunfo. Tudo dá errado. É como ‘Star Wars - O Império Contra Ataca’ (1980). Há mais suspense e desespero, consequências duras para os eventos da primeira temporada”, avisa Cláudio, que já está escrevendo a terceira. “Estamos no terço inicial. Mas não há nada confirmado: a HBO vai esperar o desempenho para decidir”, ressalta.

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