Westworld questiona violência humana

“Nesse sentido, acho o programa muito instigante”, diz Rodrigo Santoro, que integra o elenco ao lado de Anthony Hopkins, Ed Harris e Evan Rachel Wood.

Castelo de VidroCastelo de Vidro - Foto: Divulgação

Não existem limites morais em Westworld. O parque remonta o oeste selvagem e foi feito para que ricaços pudessem saciar seus desejos -inclusive os mais hediondos, como assassinar caubóis ou estuprar mocinhas. Mas, para que esse lado primitivo não pese na consciência dos endinheirados, os caubóis mortos e as mocinhas violentadas são apenas robôs.

Trazem fisionomia humana, falam como gente e até chegam a sorrir e chorar, mas não passam de simulacros. Programadas para não machucar os visitantes do parque, as criaturas artificialmente inteligentes seguem à risca as leis da robótica preconizadas por Isaac Asimov (1920-1992) - mas a obediência não durará muito tempo.

Fazer mal a uma máquina - um ser sem consciência - é realmente uma espécie de crueldade? Esta é uma das questões filosóficas propostas por “Westworld”, série da HBO que mistura faroeste e ficção científica, que estreia neste domingo, às 23h.

“Nesse sentido, acho o programa muito instigante”, diz Rodrigo Santoro, que integra o elenco ao lado de Anthony Hopkins, Ed Harris e Evan Rachel Wood. “Tem muita ação, mas o que mais me estimula é esse subtexto, foi pensar ‘estou falando isso, mas querendo dizer outra coisa’.”

Santoro diz que a própria criação de seu personagem perpassa esse questionamento. Com uma cicatriz no rosto e roupa preta, Hector Escaton dá pinta de pistoleiro, mas Santoro afirma que, mesmo depois de gravar dez episódios, não sabe cravar se ele é vilão ou mocinho. “Lendo os roteiros, me lembro de dar uma pausa e pensar ‘não tô acreditando nos lugares aonde isso tá indo’, no sentido de conceber o que é o bem e o que é o mal”, diz.

Inspirado no filme homônimo de 1973, a série criada por Jonathan Nolan (roteirista de “Batman: O Cavaleiro das Trevas” e “Interestelar”) e produzida por J. J. Abrams (diretor de “Star Wars: O Despertar da Força”) chega com um objetivo complexo: cair no gosto dos fãs de “Game of Thrones” que, em 2018, ficarão órfãos da atração e de suas cenas de nudez e violência.

Assim, “Westworld” - cujo primeiro episódio poderá ser assistido por não assinantes da HBO, uma vez que o canal vai abrir o sinal - também não economiza no derramamento de sangue. “A série tem caubói, cavalo, mas também é um estudo profundo da natureza do homem, do apetite pela violência... É só abrir o jornal que você vê”, afirma Rodrigo Santoro.

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