Poesia

Wilson Araújo abre os poemas da semana com versos sobre o Rio de Janeiro

Poeta maranhense de alma pernambucana tem suas poesias publicadas semanalmente no Portal Folha de Pernambuco

Rio de janeiroRio de janeiro - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

EMBRUTECIDOS PELA VIOLÊNCIA

 

O Rio de Janeiro continua lindo.

O Rio de Janeiro continua sendo

o Rio de Janeiro, fevereiro e março 

o ano inteiro.

Mas até quando fim do ano

o desumano demasiado desumano?

Quanta crueza bandida

na vida da Cidade Maravilhosa!

Como dói tanta violência

naquele fascínio perene!

Como é bonito o Pão de Açúcar

visto daquele ângulo alongado

que insere o Morro Dois Irmãos,

a Pedra da Gávea e o Redentor

com suas pálpebras de neblina

derramando lágrimas!

E o futuro fruto da elástica

estatística que aponta 

um crescimento de 325%

das autorizações para o uso 

de armamento? 

Como pregou aquele Arcebispo 

em Aparecida:

falar Brasil Pátria Amada

se o estímulo oficial

é o de uma Pátria Armada?

 

Brasil, Brasis, Brasília:

Brilha uma estrela guia!

 

        Wilson Araújo de Sousa (WAS)
 

CRISTOCOMUNISTA

    “...ler o signo-Jesus como o de um

    subversor da ordem vigente,

    negador do elenco dos valores 

    de sua época e proponente de

    uma UTOPIA”

        Paulo Leminski, na mira

        da rima em Trotski?

        (também biografado por ele)

 

Cristo: mudando como um deus

o curso da História.

 

Marx: mudando, como ateu,

o discurso da História.

 

Ateus na mira

da rima em Deus.

 

Comunista em Cristo,

por Cristo, com Cristo insurrecto.

 

        Wilson Araújo de Sousa (WAS)

 

ÁGUA DE FRONTEIRA

 

Anjo Tor(qua)to

da (van)guarda.

Lendo uma terzina

de Dante, durante

a cajuína cristalina em Teresina:

Tristeresina, não!

“Eh Parnaíba passando

separando a minha rua

das outras do Maranhão”.

As outras do Maranhão,

ruas de Timon

de onde este timoneiro parte

para o Capítulo da Paixão Maranhense.

 

        Wilson Araújo de Sousa (WAS)

 

MOMO SAPIENS

 

Invenção de Orfeu

Orfeu da Conceição

e outros orfeus

        carnavalizando

o eu profundo

e os outros eus

 

 

ARTEVIDA ATREVIDA

 

Jomard Muniz de Britto

e rito e ritmo do mito

de Orfeu

do carnaval

do eu profundo

e dos outros eus

e dos outros orfeus:

Orfeu Orftu Orfele

Orfnós Orfvós Orfeles.

Murilozei-me 

numa pletora de alegria

dos maracatodos.

Orfeu Negro!

 

BURILO MURILO MENDES

 

“Webernizei-me. Joãocabralizei-me.

Francispongei-me. Mondrianizei-me”

 

Rimbaudelairezei-me

Drummondrianizei-me

 

Joaocabralcristalizei-me

 

JOÃO cabral de melo neto

joão CABRAL de melo neto

joão cabral DE MELO neto

joão cabral de melo NETO

 

João Cabral de Melo Neto

o nome mais belo do verso

o verso mais belo do elo

 

entre o sol a pino

e o silêncio a pino.

 

P.S. Aguarde ensaio com insights

sobre o nome mais belo do verso.

 

        Wilson Araújo de Sousa (WAS)

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