Zé Manoel: em nova dimensão musical

Artista de Petrolina, Zé Manoel tem seu novo disco marcado por vozes populares na MPB, como Fafá de Belém, Ana Carolina e Elba Ramalho, que o acompanham ao piano

O curso irá treinar as participantes para exercer atividades em instalações elétricas prediais e nas redes de distribuição de energiaO curso irá treinar as participantes para exercer atividades em instalações elétricas prediais e nas redes de distribuição de energia - Foto: Divulgação

Caminhando cada vez mais para perto da música urbana de Pernambuco, o petrolinense Zé Manoel desviou um pouco da rota, iniciada pelo segundo disco, “Canção e Silêncio”, e retomou as bases da sua formação musical em seu álbum mais recente. Embora “Delírio de um Romance a Céu Aberto” não seja exatamente uma obra de inéditas, o trabalho reaproxima o compositor do universo da Bossa Nova. No CD, as canções de Zé Manoel são interpretadas por nomes consagrados da MPB, como Ana Carolina, Elba Ramalho e Fafá de Belém, enquanto o músico se dedica ao piano.

“A ideia era trazer várias vertentes da música brasileira e aproveitar o repertório levando cada intérprete para mais perto do seu universo. O samba-canção que abre, por exemplo, achamos ideal para Fafá, porque era algo que ela fazia, mas não vinha explorando tanto ultimamente”, explicou Zé, sobre a música “Aconteceu Outra Vez”, que é uma das três composições inéditas para o disco de 11 faixas. As outras duas são “Nós que nos Conhecemos num Navio”, uma parceria com o também pernambucano Juliano Holanda, que ganha a voz de Amelinha, e a faixa-título. Essa última tem letra de Vanessa da Mata e arranjo de Zé Manoel, que toca e canta na música, a única que conta com seus vocais.

“A gente tinha pensando na Vanessa como convidada, mas por conta da agenda dela não foi possível. Quando terminou o disco, Zé Pedro mostrou a ela como ficou e ela achou bonito, acabou compondo uma letra que eu musiquei. Eu não ia nem cantar no disco, ela que sugeriu. Como eu não sabia como chamar o trabalho, também recebi a sugestão de usar a música como título, fiquei indeciso, mas ela retratava bem o projeto. Não tinha percebido essa conotação romântica, mas caiu muito bem mesmo” , explica o artista, que teve o projeto idealizado pelo DJ Zé Pedro, do selo Joia Moderna. Ao lado de Thiago Marques, o DJ é também produtor do álbum.

A princípio, o disco seria mais uma edição da iniciativa do selo em que cantoras resgatam o repertório de símbolos da MPB, mas acabou tomando outros rumos. Além de trazer músicas de um novo nome, o álbum também conta com intérpretes masculinos, como o baiano Tiganá Santana, em “Valsa da Ilusão”; o pernambucano Ayrton Montarroyos, em “Deixar Partir”, e o paraense Arthur Nogueira, em “Motivo Número 2”. Embora o trabalho destoe da proposta original, quando Zé Pedro propôs o projeto para Zé Manoel tinha o intuito de tornar a obra do pernambucano mais conhecida para o grande público revisitando o seu repertório com vozes mais populares.

“Interiorano, amoroso, melódico, esse menino nascido em Petrolina, de formação erudita, nada contra a corrente das urgências e da modernidade que invade o nosso chão musical. Tendo lançado dois álbuns em sua curta trajetória, ele já alcançou completo prestígio e alta compreensão dos críticos. Foi pensando em ampliar as milhas nesse mar de admiração que criamos ‘Delírio de Um Romance a Céu Aberto’, onde grandes artistas de diferentes gerações emprestam suas vozes às canções”, diz o DJ, na apresentação do disco no YouTube.

Além de contar com artistas de grande alcance na mídia, o disco também tem a participação de nomes respeitadíssimos do circuito independente, como Juçara Marçal, em “Água Doce”, e Ná Ozzetti, em “Volta pra Casa”, dois dos melhores momentos do trabalho. A maior parte das músicas, que já haviam sido gravadas por Zé Manoel nos seus discos antecessores, ganha nova dimensão na interpretação dos convidados, que são acompanhados somente pelo piano do compositor. O formato funciona bem para introduzir o trabalho do músico aos que ainda estão desavisados pois, além de destacar seu domínio no instrumento, os arranjos também evidenciam a poética das letras.

“Me senti privilegiado por ter esse projeto no currículo depois de apenas dois discos, mas estendo esse orgulho pros meus parceiros e para a cena toda que está rolando no Recife, que está em um período muito fértil”, comenta ele, que fez a direção musical do disco e adiantou que a linha intimista não deve se prolongar para o terceiro de inéditas, cujas músicas já estão sendo compostas. “Quando comecei a fazer ‘Delírio’, fiquei um pouco inseguro com o formato, pois ia ficar na mão de duas pessoas: o piano e o intérprete, mas deu certo. Acho que isso aconteceu porque venho de um disco com muita instrumentação e o próximo dará continuidade a ele, seguindo a linha de referências mais atuais, mais urbanas. Como tenho as duas vertentes, vai ter isso de soar algumas vezes mais contemporâneo, outras vezes mais tradicional”, observou Zé, que tem usado a versatilidade como uma de suas principais qualidades.

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