Carlos Mélo sente falta de incentivo às atividades culturais no Agreste e traz especialistas para fomentar ideias sobre o tema
Carlos Mélo sente falta de incentivo às atividades culturais no Agreste e traz especialistas para fomentar ideias sobre o temaFoto: Geyson Magno / Divulgação

A simbologia do barro é universal e em diversas religiões remete ao mistério da origem da vida e da natureza. Para além do fato de ser matéria-prima e suporte para arte, decoração e utilidade, o barro carrega em si questões simbólicas, conceituais, ecológicas e sociais.

Todos esses aspectos, e outros mais, serão abordados durante o ciclo de debates "Agreste Telúrico", que ocorre em Caruaru, no Museu do Barro, entre os dias 13 e 15 de setembro. A proposta é refletir as relações do barro (e da tradição, da memória e da história a que este está ligado na região) com a arte contemporânea, problematizando o lugar dos artesãos e o cenário cultural do Agreste pernambucano, de onde saíram mestres como Vitalino e Galdino.

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O evento foi idealizado pelo artista Carlos Mélo, com patrocínio do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura). Carlos é natural de Riacho das Almas e atualmente mora no Recife, mas continua ligado à região e sente falta de incentivo às atividades culturais no Agreste. "Onde não tem cultura, tem barbárie", lamenta ele, referindo-se ao crescimento da criminalidade e violência.

A artista Sonia Costa participa do debate e vai apresentar performance durante o evento

A artista Sonia Costa participa do debate e vai apresentar performance durante o evento - Crédito: Divulgação

Para Carlos, o Agreste é um espaço de passagem, de transição entre a capital e o interior. "Pernambuco não é só Recife", alerta. A partir de um anagrama com as palavras "Agreste" e "Resgate", ele propõe a reconstrução da subjetividade de uma comunidade de artesãos e de toda uma região onde o barro é fonte de renda, cultura e vida.

A proposta do ciclo de debates é retomar e ampliar as discussões levantadas durante a primeira Bienal do Barro do Brasil, realizada em 2014, e preparar o terreno para uma nova edição do evento. No primeiro dia, a partir das 14h, Raphael Fonseca (RJ) e Marcus Lontra (SP), dois nomes de destaque na cena curatorial brasileira, discutem “Por que uma Bienal?”, juntamente com a diretora do Museu do Barro, Maria Amélia, e os artistas Abel Carvalho e Sonia Costa (PE).

No segundo encontro, o anagrama "Agreste/Resgate" vai suscitar questões relativas ao lugar, sua história, memória e tradição, e contará com a participação de Carlos Mélo e dos artistas José Rufino (PB), Sonia Costa e Abel Carvalho (PE), além da professora e fotógrafa Juliana Leitão.

Fechando o ciclo, a simbologia do barro e do que ele representa para a contemporaneidade serão discutidos por Sonia Costa, Carlos Mélo, Abel Carvalho e Marcelo Cidade (SP), junto com o jornalista e pesquisador Paulo Carvalho, tendo como ponto de partida a pergunta “Por que uma Bienal do Barro?”. O evento será aberto a todos os interessados e contará com ações de inclusão para pessoas com deficiência, com intérprete de Libras para as palestras e mesas.

Serviço:
Ciclo de Debates "Agreste Telúrico"
Onde: Museu do Barro de Caruaru (praça Cel. José de Vasconcelos, 100, Centro - Caruaru)
Quando: De 13 a 15/09
Informações: (81) 3727-7839 | 3721-2545

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