Jeffson Leocádio sonha em realizar a primeira exposição
Jeffson Leocádio sonha em realizar a primeira exposiçãoFoto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Jeffson Leocádio, 60 anos, é pintor desde que recebeu o diagnóstico de Parkinson, há oito anos. Começou como uma terapia, até que começou a vender alguns de seus quadros e percebeu que pode ser um profissional. O sonho agora é o de realizar uma exposição.

Em medidas diferentes, a doença tanto beneficia quanto prejudica a pintura. Por um lado, há uma espécie de fluxo direto entre as emoções e o papel. Nada é realmente planejado, racionalizado. Por outro, a medicação utilizada para conter os sintomas, como tremores, dores e travamentos musculares, deixa o pintor com o corpo e a mente lentos.

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A sinceridade artística pode ter raízes na doença. Segundo o professor de neurologia da Universidade de Pernambuco (UPE) Paulo Brito, o Parkinson afeta o lobo frontal do cérebro. “Geralmente, quem tem Parkinson não consegue mentir, roubar ou enganar. Não tem maldade. Assim, ele não tem um filtro para manipular o que sentir”, explica, citando o resultado de um estudo publicado na revista inglesa especializada Brain.

Antes das tintas, Jeffson trabalhava com comida. Era gerente de um restaurante. Sem o restaurante, em casa, resolveu pintar. “Comecei porque me relaxa. Coloco as coisas ali. Dependendo do dia, faço abstratos que pouca gente percebe imediatamente o que é. Outras vezes, algo mais claro. Consegui colocar algumas pinturas em dois espaços comerciais, mas sonho com uma exposição com o meu nome. Um vizinho foi o primeiro a comprar um dos trabalhos. Depois consegui vender outros, aqui e ali”, conta o artista. “Ainda tem a dificuldade de sair de casa para entregar, caso alguém compre pela internet.”



O problema começou quando sentiu dores no braço esquerdo. Os músculos das pernas travaram. “Fui até o médico do trabalho no INSS e, após um exame de poucos minutos, ele me aposentou. Eu não sabia o que era o mal de Parkinson. Logo chegou um contracheque e eu achei que algo bom estava acontecendo. Não sabia o que era essa doença, nem que ela é degenerativa e vai piorando aos poucos.” O remédio que utiliza já está em sua dose máxima. São 14 comprimidos diários.

Hoje, ele sente muita falta do restaurante. Gostava de trabalhar. “Ele é uma pessoa extremamente ativa e muito positiva. Era ‘pau para toda obra’. A doença que aparece é justamente uma que mexe com essa mobilidade. Isso às vezes deixa ele um pouco para baixo, mas nem sempre. Quando soube o que era o Parkinson, disse: ‘vamos em frente’”, conta o filho - e fã - Jeffson Leocádio Junior, 24. “Tanto faz ele acordar, fazer um café, sentar e não conseguir mais levantar para desligar o fogão, quanto ele fazer tudo normalmente. Cada dia é um dia diferente em relação aos sintomas.”

“A doença é neurodegenerativa e, consequentemente progressiva”, explica Paulo Brito. “Acomete mais homem que mulher e geralmente se inicia em torno dos 60 anos. É comum começar com tremores seguidos por dificuldade de movimentos, instabilidade do andar e redução da velocidade do movimento. Não conseguem mudar de posição quando estão deitados na cama, por exemplo, ou sentar e levantar. Essa dificuldade é característica importante da doença.” O médico ainda conta que, entre 40% e 50% das pessoas com doença de Parkinson têm sintomas que não são motores, como depressão ou alucinações.

Jeffson Leocádio sonha em realizar a primeira exposição
Jeffson Leocádio sonha em realizar a primeira exposiçãoFoto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco
Jeffson Leocádio sonha em realizar a primeira exposição
Jeffson Leocádio sonha em realizar a primeira exposiçãoFoto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco
Jeffson Leocádio sonha em realizar a primeira exposição
Jeffson Leocádio sonha em realizar a primeira exposiçãoFoto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco
Jeffson Leocádio sonha em realizar a primeira exposição
Jeffson Leocádio sonha em realizar a primeira exposiçãoFoto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco
Jeffson Leocádio sonha em realizar a primeira exposição
Jeffson Leocádio sonha em realizar a primeira exposiçãoFoto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco
Jeffson Leocádio sonha em realizar a primeira exposição
Jeffson Leocádio sonha em realizar a primeira exposiçãoFoto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco
Jeffson Leocádio sonha em realizar a primeira exposição
Jeffson Leocádio sonha em realizar a primeira exposiçãoFoto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco
Jeffson Leocádio sonha em realizar a primeira exposição
Jeffson Leocádio sonha em realizar a primeira exposiçãoFoto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

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