"Comunhão", obra de Rodrigo Braga
"Comunhão", obra de Rodrigo BragaFoto: Rodrigo Braga/Divulgação

Espanto e perplexidade são reações comuns às criações de Rodrigo Braga, cuja arte provocadora e experimentalista roda o mundo há algum tempo. As duas décadas de produção do artista visual manauense naturalizado no Recife, configuram o objeto de análise do primeiro volume da coleção "Geração de um Pernambuco contemporâneo". O livro, que conta com ensaios assinados por Maria do Carmo Nino, Rebeka Monita e Marcelo Coutinho, será lançado no Museu do Estado de Pernambuco (Mepe), nesta sexta-feira (1), às 19h, com distribuição de exemplares gratuitos.

Experimentado nas linguagens da performance, do vídeo e da fotografia, Rodrigo faz parte da chamada Geração 00, termo que agrupa os artistas brasileiros que despontaram a partir dos anos 2000. Para Rebeka Monita, organizadora da coleção, o processo de criação é o aspecto mais marcante no trabalho do fotógrafo. "O resultado final parece não importar tanto. O que bate no espectador e em mim, enquanto pesquisadora, é a experiência que o artista atravessa no momento da realização da obra dele", comenta a curadora, cuja pesquisa de mestrado teve Rodrigo como tema.

Para dividir os textos que compõem o livro, Rebeka convidou dois ex-professores do artista, que o acompanharam em sua formação na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). "A gente parte de uma pesquisa acadêmica, mas somos atravessados por relações afetivas também com a obra e o artista. Enquanto acadêmicos, assumimos a não separação entre sujeito e objeto", afirma. A publicação, que tem incentivo do Funcultura, busca debater de maneira crítica e aprofundada todo o conjunto da obra do artista. Os artigos são intercalados por mais de 80 imagens, entre fotos e frames de vídeos.

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Atualmente, Rodrigo vive e trabalha no Rio de Janeiro. A distância da capital pernambucana e o fato de ter nascido em Manaus, no entanto, não tirou dele o sentimento de pertencimento quando está no Recife. "Eu tenho circulado pelo Brasil e por outros países, mas isso não me faz menos pernambucano. O caldeirão cultual com o qual me relacionei durante toda a minha formação é esse aqui. A minha produção carrega características muito próprias do nosso universo, mas que dialogam com o restante do mundo, como a forte relação com o corpo e o contato com a violência", aponta o artista, que voltou recentemente de um período em Portugal.

Durante a temporada lusitana, entre julho e agosto deste ano, Rodrigo produziu uma série de imagens na Serra da Estrela, no município do Fundão, que chamou sua atenção pela grande quantidade de mineradoras que exploram o solo da região. "A relação ruidosa que os homens estabelecem com a natureza ao seu redor talvez seja o aspecto mais importante da minha produção", aponta. Após o lançamento, o primeiro volume da coleção "Geração de um Pernambuco contemporâneo" estará à venda no Mepe e no Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (Mamam). Todo o valor arrecadado será revertido para as ações educativas das duas instituições.

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