Atriz Drica Moraes é a homenageada da 23ª edição do Cine PE
Atriz Drica Moraes é a homenageada da 23ª edição do Cine PEFoto: Divulgação

Versatilidade. Termo que deve ser ressaltado para falar sobre a atriz Drica Moraes, 49 anos, homenageada da 23ª edição do Cine PE - Festival do Audiovisual, marcado para o próximo 29 de julho com extensa programação até o dia 4 de agosto, no Cinema São Luiz. Porque, como diria a própria Sandra Bertini, diretora do festival: “Ela vai da comédia ao suspense com maestria”.

E, de fato, assim têm sido as atuações da artista carioca ao longo de seus 36 anos de carreira, entre palcos, televisão e cinema, todos experienciados com linearidade, desde a atual médica ríspida da série televisiva “Sob Pressão” (2019) até o protagonismo no papel da filha do ex-presidente Getúlio Vargas, Alzira Vargas, no filme “Getúlio” (2014), papel que a fez vencer barreira de preconceitos comuns a diretores de cinema com atores vindos da TV, principalmente no caso dos comediantes.

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“Fico muito honrada, muito feliz em receber a homenagem de um festival de audiovisual de tanta excelência como o Cine PE. Sou cria do teatro, depois fui para TV e ao cinema cheguei tardiamente. Mas, desde (o filme) 'Getúlio', passou a existir um outro olhar sobre o meu trabalho e eu pude, enfim, me formar e entender um pouco mais dessa linguagem assim como ela passou a me conhecer melhor também”, explica Drica, em entrevista à Folha de Pernambuco.

Formada em umas das escolas mais tradicionais do teatro no Rio de Janeiro, a Tablado, aos 14 anos, Drica estreava profissionalmente nos palcos com "Os Doze Trabalhos de Hércules" (1983) - adaptado do livro de Monteiro Lobato - e, no final da década de 1980, criava, junto a outros artistas, o grupo Cia dos Atores, desempenhando, na companhia e em trabalhos paralelos, interpretações que lhe renderiam premiações e o reconhecimento de uma veia artística que lhe permite "ficar à vontade" em qualquer linguagem.

"Fiz trabalhos interessantes no cinema, com narrativas bem desenvolvidas. Hoje, me sinto como parte dele, sabe? Então acho que circulo bem por esse viés", ressalta a atriz, que, salvo o período de afastamento em 2010, em decorrência de uma leucemia, se mantém ativa (e versátil) em palcos e plateias variadas.

"Estou bem ligada ao cinema, apesar de considerar minha filmografia curta, quando comparada com atuações no teatro e na própria televisão. Com o lançamento de 'Pérola' (longa dirigido por Murilo Benício) para o ano que vem, além de 'As Verdades', do Eduardo Belmonte, participo também de uma série na televisão, baseado na obra do Domingos de Oliveira (1936-2019). Sigo feliz, com a vida intensa sempre e com os meus filhos na batucada da vida", comemora Drica, que estará no festival para recebimento do prêmio Calunga de Ouro do Cine PE, no dia 3 de agosto. "Tô indo com mãe e filho para aproveitar um pouco, também, dessa terra tão linda".

Sobre o Cine(ma) PE...
"Pernambuco é um polo de formação do que há de melhor no cinema autoral e fora dos padrões, sem preocupação com aceitação imediata e com o mercado", salienta Drica ao discorrer sobre o Cine PE e todas as nuances do audiovisual produzido pelo Estado e por nomes, que como ela própria afirma, são espécies de ídolos de gerações. "Falar do Kléber (Mendonça), do (Gabriel) Mascaro e de um Cláudio Assis é falar de parte da formação do público e dos próprios artistas brasileiros formados por eles. É um cinema que só surpreende", enaltece a atriz.

Presenças especiais
A
23ª edição do Festival - com entrada gratuita para todas as sessões do Cinema São Luiz - também terá participação da atriz Débora Duarte na apresentação do filme de Felipe Leibold "Um e Oitenta e Seis Avos", com exibição marcada para o dia 1º de agosto. Na vida real, a mãe da também atriz Paloma Duarte acumula aos 69 anos de idade uma lista extensa de premiações, entre elas o troféu APCA em novelas e no teatro.

Recentemente o livro de poemas "No Colo de Apolo", lançado na década de 1980 - ocasião em que foi apresentado por Mário Lago e teve o prefácio de Zélia Gattai - foi relançado com novas poesias escritas pela atriz.

Assim como Débora, o ator pernambucano Renato Góes integra a programação do Festival na Mostra Competitiva de Longa-Metragem com o filme "O Corpo é Nosso", de Theresa Jessouroun, que terá exibição no dia 3 de agosto. Na edição de 2016, ele foi premiado com o Calunga de Melhor Ator Coadjuvante pelo filme "Por Trás do Céu", de Caio Sóh.



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