Marcelo Ikeda é pesquisador, crítico e curador
Marcelo Ikeda é pesquisador, crítico e curadorFoto: cinema

A nova composição do Conselho Superior do Cinema, anunciada na terça-feira (4), continua causando reação na cadeia produtiva do audiovisual. No decreto, o Governo Federal restringiu o espaço de cineastas brasileiros nas cadeiras do órgão, responsável por traçar políticas para o setor, e deu maior peso a representantes de corporações e conglomerados estrangeiros.

Carla Francine, suplente do Conselho e representante da Conexão Audiovisual Centro-Oeste, Norte, Nordeste (Conne), criticou a medida. “A gente tem uma situação muito conflitante. Entidades que historicamente estavam nesse Conselho perderam assento, outras entraram, mas todas como suplentes. Entidades fortes no cenário nacional e que deveriam estar representadas como titulares”, criticou.

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Segundo Francine, a nova composição vai resultar em perda de soberania. “Será um grande desmonte do nosso mercado, priorizando a visão norte-americana, de cada vez mais sermos a sucursal da indústria dos EUA. Isso é muito ruim para o País, para a autoestima e cidadania do povo brasileiro. Eu acho isso lamentável”, afirmou. Ela cobra maior representatividade nacional na entidade.”A formação de política para o mercado do audiovisual deveria ser feito por empresas genuinamente brasileiras e pelo setor organizado”, disse.

O pesquisador, crítico e curador Marcelo Ikeda, que trabalhou na Ancine entre 2002 e 2010, teceu diversos questionamentos colocando sob suspeita o real interesse em mudar a composição do Conselho. “O que está em jogo é a regulamentação do VOD (Video on demand ou vídeo sob demanda). Esta é a questão central de regulamentação que a Ancine vai enfrentar nos próximos tempos. O VOD no Brasil é um mercado sem nenhuma regulamentação e isso passa por uma decisão do conselho. Então, é isso que está em jogo com a vinda desses agentes estrangeiros”, apontou.

“No apagar das luzes do governo Temer, esse desenho vai favorecer esses grupos estrangeiros e dificultar ter cota para o produto nacional, a exemplo da TV por assinatura, que teve cotas para conteúdos brasileiros. Está se prenunciando uma regulamentação diferente, mais liberal e sem cotas para a nossa produção”, previu Marcelo.

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