Filme tem um universo fascinante, e o apelo visual é interessante. Por outro lado, apresenta um roteiro medíocre demais para o gênero
Filme tem um universo fascinante, e o apelo visual é interessante. Por outro lado, apresenta um roteiro medíocre demais para o gêneroFoto: Divulgação

A trilogia “O Senhor dos Anéis” (2001-2003) fez Peter Jackson tornar-se um dos diretores mais respeitados de Hollywood. Seu nome virou sinônimo de grandes efeitos visuais para o cinema.

Naturalmente, sua assinatura constar nos créditos como produtor e co-roteirista de “Máquinas Mortais”, que tem estreia nos cinemas, pelo Brasil, agendada para esta quinta (10), geraria boa expectativa com relação ao filme, adaptado do livro cyberpunk de Philip Reeve. Coube, no entanto, ao estreante Christian Rivers o papel de dirigir o longa. E o resultado acabou transformando a espera em frustração.

Máquinas Mortais nos apresenta um mundo destruído, em um futuro distópico, onde cidades móveis vivem em constante clima de guerra. Para transmitir tal cenário, o filme acerta com uma paleta que mescla as cores fortes, com os tons terrosos.



Nesse cenário, Hester Shaw (Hera Hilmar) busca vingança pela morte de sua mãe, perseguindo Thaddeus Valentine (Hugo Weaving), líder militar da cidade de Londres. Em seu caminho, ela conhece Tom (Robert Sheehan), que busca uma chance de mudar o próprio futuro. O roteiro não é empolgante e torna a história tediosa em alguns momentos.

O maior problema, no entanto, está na direção. O filme acabou expondo uma dificuldade de Christian Rivers nas tentativas de construção de tensão. Além disso, o enredo não é interessante ou, pelo menos, crível. Para se ter uma ideia, não existe uma explicação para justificar a sede de poder do vilão, interpretado por Hugo Weaving - único com atuação destacada, com pouca margem para dúvidas. Além disso, a trilha sonora é exagerada. Rivers só consegue se sobressair durante as cenas inteiramente digitais, que envolvem batalhas de veículos e aeronaves de guerra.

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O filme tem, sim, um universo fascinante, e o apelo visual é interessante. Mas Máquinas Mortais deixa uma sensação de oportunidade perdida, sem criatividade no processo de direção, além de um roteiro medíocre demais para o gênero. Nos EUA, o longa arrecadou apenas US$ 7,5 milhões, no final de semana de estreia. É possível, inclusive, segundo os estudios Universal, que Máquinas Mortais não consiga recuperar nem mesmo a metade de seu orçamento, que ficou entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões.

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