Ausência da Fox marca a CinemaCon este ano
Ausência da Fox marca a CinemaCon este anoFoto: Reprodução/Internet

A viagem que Hollywood faz todos os anos a Las Vegas para a CinemaCon conta nesta ocasião com uma grande ausência: a 20th Century Fox. Sim, o evento terá a presença da Disney, que ainda no primeiro semestre deste ano vai concluir a operação de compra da maioria dos ativos do tradicional estúdio, que nunca deixou de participar da convenção que reúne produtores e distribuidores de filmes com os donos de salas de cinemas.

"Negócios são negócios; a vida é feita de mudanças", afirmou Mitch Neuhauser, diretor-geral da NATO, a associação dos proprietários de salas de cinema nos Estados Unidos. "Só podemos desejar à Disney o melhor, estamos aqui para apoiá-los", acrescentou. Mas comentou ainda que a situação tem um "um sabor agridoce". "Nós perdemos amigos da 20th Century Fox, eles estavam aqui desde o começo, eles eram grandes parceiros e vamos sentir falta deles".

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A Disney investiu 71,3 bilhões de dólares na aquisição da 20th Century Fox, que inclui vários canais por assinatura. A operação permitirá que o estúdio do Mickey Mouse expanda sua oferta de conteúdo, agora que o grupo está se preparando para lançar sua própria plataforma de vídeo online, um setor no qual competirá com a Netflix.

Ansiedade pelo streaming
Não é só a Disney. A Comcast, dona da Universal, e a Warner Media, da Warner Bros, também planejam lançar plataformas online nos próximos meses. E, em meio à ansiedade generalizada pelo streaming, surge a questão de se a janela de exclusividade que os cinemas têm de 90 dias para exibir um filme nos Estados Unidos deveria ser reduzida.

A Netflix tem sido criticada precisamente por privilegiar a distribuição na internet e marginalizar as salas de cinema. "Espero que um dia a Netflix entenda que, se eles realmente quiserem produzir filmes, eles terão que estrear no cinema", afirmou Jérôme Seydoux, CEO da Pathé.

"Você não pode produzir filmes de certo calibre, com grandes diretores, sem mostrá-los ao público (...) Se eles não aparecem no cinema, então não são filmes, como diz (o diretor Steven) Spielberg; são programas de televisão", acrescentou, sendo aplaudindo de pé.

O veterano diretor propôs bloquear a Netflix no Oscar, argumentando que, se for o caso, os filmes que estrearem em plataformas de streaming ou tiverem uma pequena distribuição nos cinemas, deveriam, então, disputar o Emmy. De qualquer forma, o cinema está longe de perder seu espaço: o ano de 2018 marcou um recorde de bilheteria com mais de 11 bilhões de dólares.

"Eu tenho 30 anos na indústria cinematográfica e sempre houve coisas que ameaçavam o negócio do cinema, como o VHS, a TV a cabo, mas essa é uma indústria que sabe resistir, que sempre descobre maneiras inovadoras e assim as pessoas voltam", declarou Ray Nutt, CEO da distribuidora Fathom Events, falando à AFP.

"As pessoas ainda querem sair de casa, querem a experiência comunitária e, apesar de parecer clichê, isto é uma realidade", acrescentou. Fathom constatou isso com reapresentações bem sucedidas de clássicos como "Karatê Kid" e "... E o vento levou".

Pikachu, Elton John, Avengers...
A Neon abriu as apresentações dos estúdios na segunda-feira com o drama musical "Wild Rose", enquanto que a Warner apresenta nesta terça um resumo dos 20 títulos que estrearão este ano, incluindo "Detetive Pikachu".

A Universal terá sua vez na quarta-feira (3) e, segundo a imprensa especializada, deve insistir em sua aposta do ano passado - com "Mamma Mia!" e Cher - e concentrar-se em "Cats". A Disney chega com a garantia de grandes bilheteria com filmes como "Vingadores: Ultimato", "Aladdin", "Toy Story 4", "O Rei Leão", "Frozen 2", entre outros.

"Rocketman", a cinebiografia sobre Elton John, dominará a apresentação da Paramount na quinta-feira. A expectativa é se o lendário artista britânico estará presente, ou se Taron Egerton, que o interpreta, presenteará o público cantando ao vivo.

Além da ausência da Fox, a Sony igualmente não apresentará suas produções, entre elas "Era uma vez em Hollywood", de Quentin Tarantino; "Men in Black: International", ou o novo "Homem-Aranha: Longe de Casa".

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