Cena de 'Bacurau'
Cena de 'Bacurau'Foto: Victor Jucá/Divulgação

Pensar em “Bacurau” é remeter automaticamente à resistência. E foi isso que os diretores do filme, Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, em conjunto com o elenco do longa, ressaltaram ao descrever a mensagem que o filme passa aos espectadores.

Sorridente, o elenco, que conta com nomes como Bárbara Colen e Buda Lira, anunciavam mais uma sessão de “Bacurau”, dessa vez em São Paulo, antes de dar início à coletiva de imprensa realizada na manhã deste sábado (24) em hotel localizado em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Para a tristeza dos fãs, a possibilidade de uma minissérie ou continuação do longa já foi descartada pelos diretores. “Todo esse material que vocês assistirem é o melhor que temos e foi escolhido com cuidado”, esclareceu Kleber. Ele e Juliano ainda descreveram o quão conciso e único o filme consegue ser. Não é possível, inclusive, listar um personagem ou casal principal, já que todos eles têm papel fundamental na trama. 

Leia também:
Crítica: 'Bacurau' é retrato de um Brasil que não se rende
'Bacurau' e 'Vida Invisível' estão na disputa para representar o Brasil no Oscar; confira lista completa

Em um escasso resumo, o filme se dá a partir da morte de dona Carmelita (Lia de Itamaracá) no povoado que leva o mesmo nome do longa e que não está mais nos mapas. A vinda de estrangeiros e até mesmo o aparecimento de um suposto OVNI dão sinais de que algo está errado na localidade, e a população começa a se unir para lutar contra as possíveis ameaças.

“É um filme sobre compaixão, mas também sobre violência”, descreve Dornelles: "História e memória que se entrelaçam e que mistura vários gêneros”. De fato, lendo a sinopse ou assistindo “Bacurau”, é enorme a dificuldade de colocá-lo dentro de uma caixinha de respectivo gênero. Os traços de faroeste, ficção científica, ação e suspense se mesclam e cumprem a tarefa árdua de deixar o espectador se tremendo pós-sessão. O povo nordestino é representado, dentre vários personagens, nos rostos da médica Domingas (Sônia Braga), Teresa (Bárbara Colen) ou até mesmo o emblemático Lunga (Silvero Pereira), que transita entre o senso comum do homem do faroeste e o que não se espera do mesmo.

Sônia Braga, presente à coletiva, destacou a ligação que sentiu com o local das gravações, em Parelhas, interior do Rio Grande do Norte, onde, na última quinta-feira (22), cerca de 2 mil pessoas assistiram ao filme. “Logo na entrada do lugar, tem uma árvore, e, como sou muito ligada à metáforas, senti como se nunca tivesse saído de fato”, descreveu, saudosista.

“Bacurau” contou com produções dignas de cinema hollywoodiano, mas com um toque a mais do regionalismo. Os vilões, que falam em inglês, contrastam com o dialeto dos moradores, que não economizam nas gírias unicamente nordestinas. Segundo os diretores, o longa possui uma versão dublada que será disponibilizada em breve.

O fim de "Bacurau" difere do histórico cinematográfico de Kleber Mendonça Filho. "É como se subíssemos o tom", explica, "é algo mais violento, mas você entende porque eles estão realizando aquilo".

Recentemente, o longa entrou na lista dos possíveis indicados ao Oscar 2020, o que representa uma grande conquista para as artes pernambucanas segundo o diretor. "Eu quero que Pernambuco seja foco de resistência dos mais variados tipos de arte, e fico muito orgulhoso de fazer parte disso. O impacto dessa obra e de nenhuma outra deve ser subestimado porque olhe até onde podemos chegar".  

veja também

comentários

comece o dia bem informado: