Cena de 'O Corpo é Nosso'
Cena de 'O Corpo é Nosso'Foto: Divulgação

Espaços de fala sobre feminismo e liberdades merecem aplausos, principalmente em tempos permeados por ignorâncias e pensamentos retrógrados, ameaçadores - como os atuais. A contribuição da diretora Theresa Jessouroun com o documentário “O Corpo é Nosso!” - com estreia nesta quinta-feira (5) nos cinemas - integra o rol desses materiais que valem o desdobramento em debates e reforçam conquistas de mulheres que, donas dos seus próprios corpos, podem fazer deles o que quiserem fazer.

Este é o mote do "docficção", que rememora, com fatos históricos, o processo libertário que desnudou peitos e bundas e desconstruiu regras sobre racismo, machismo e preconceitos. "A pesquisa girou em torno de fatores culturais que contribuíram para a trajetória da liberação do corpo da mulher brasileira, como dança e a música, o anticoncepcional e o biquíni, entre outros, e o quão diferentes foram estes caminhos para mulheres brancas e negras. Vemos o ápice desta liberação com as mulheres empoderadas dançando no funk, e da forma que mais lhe agrada", exemplifica Theresa, em conversa com a Folha de Pernambuco.

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Música e dança são alguns dos vieses explorados no filme, que se vale de imagens de arquivos e de depoimentos de antropólogos e historiadores, roteirizados por argumentos que explicam, por exemplo, o papel do funk na emancipação do corpo da mulher e a falta de compromisso poético em letras e melodias, já que o gênero se basta pelo discurso da autossuficiência feminina.

Ao mesmo tempo em que, nas primeiras cenas, é o grito da 'Marcha da Vadias' no Recife (2016), " (...) com peito de fora, não te devo nada”, que dá o tom do filme e se conecta bem com o mundo real e fictício, este protagonizado pelos atores Renato Góes, Oscar Magrini e Roberta Rodrigues.

"Eu quis fazer uma metalinguagem, mostrando um jornalista que vai assistir às minhas entrevistas e provocam nele reflexões sobre o machismo, o racismo e o preconceito de classe entranhados na sua família e na sociedade. Com isso, quis valorizar o documentário e a importância das reflexões que o formato pode provocar", completa a diretora.

O ator pernambucano faz o papel desse jornalista que, levado a uma apuração sobre feminismo, se depara com um passado relativamente comum aos meninos brancos, de classe alta, que engravidam empregadas negras e pobres. Um "descuido" que o faz viajar a Londres e, dessa forma, o mantém distante dos dissabores de assumir uma paternidade que não condiz com os sonhos e ideais (seus e de sua família).

Até que suas idas a bailes funks cariocas lhe apresentam a uma adolescente que, negra e funkeira, o leva a um autoquestionamento sobre racismo e machismo - finalmente. "Minha principal expectativa era conseguir passar a mensagem de que é muito importante que todos reflitam juntos sobre as reivindicações das mulheres e também sobre a opressão de gênero, classe e raça ainda entranhados na nossa sociedade. Temos todos que ser anti-machistas, antirracistas e contra preconceitos de classe", conclui Theresa Jessouroun .

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