Documentário "Leonardo Bastião, o poeta analfabeto"
Documentário "Leonardo Bastião, o poeta analfabeto"Foto: Divulgação

O fato de não saber ler e escrever não impede Leonardo Bastião de criar e declamar versos metrificados com extrema facilidade. Prestigiado dentro e fora do Sertão do Pajeú, o poeta de Itapetim - cidade a 387 km do Recife - é o protagonista do documentário realizado por um conterrâneo. "Leonardo Bastião, o poeta analfabeto", do jornalista e cineasta Jefferson Sousa, ainda nem estreou na Capital pernambucana e já vem trilhando uma trajetória internacional.

Depois de passar por Rússia, Reino Unido e Índia, o filme participa do Viva Film Festival 2019, na Bósnia e Herzegovina. É a única produção brasileira a integrar o evento, que ocorre entre os dias 18 e 22 de setembro. Jefferson viajará para o país da região dos balcães, onde, além de concorrer ao prêmio principal do festival, estará presente em uma mesa de debates sobre meio ambiente e cultura.

"Quando exibi na Rússia, uma das coisas mais interessantes que ouvi do pessoal de lá é que eles nunca tinham visto alguém tão conectado à natureza quanto Leonardo. A métrica, que é um dos pontos principais do filme, perde todo o sentido quando é traduzida para outra língua. É a simplicidade do que é dito que faz com que ele consiga se comunicar com qualquer pessoa do mundo", aponta o cineasta.

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Com 21 minutos e 56 segundos de duração, o média-metragem teve a maior parte das cenas rodada em janeiro de 2019. O orçamento total foi de apenas R$ 2 mil, financiado pelo próprio diretor. "Eu tive muita ajuda do diretor de fotografia e co-produtor José Robertino. Foi ele quem conseguiu emprestadas duas câmeras da TV Pajeú. No final, tinha mais de quatro horas de material produzido. Optei por não fazer um longa, porque tinha total noção de que não tinha condições de competir em festivais com outros filmes com verbas muito maiores", explica.



Morando no Recife desde 2012, teve a primeira experiência de filmar Leonardo durante uma série de reportagens sobre poetas analfabetos do Sertão. As imagens auxiliaram na produção dos textos e, posteriormente, foi transformado em um curta experimental publicado no YouTube.

"Costumo dizer que reconheci de fato a importância da cultura de Itapetim quando me mudei. Quando estava imerso naquele universo, não conseguia perceber todas as camadas que ele tem. É o exercício da saudade. Ter crescido num lugar desses e ver suas memórias serem muito bem descritas através de versos faz com que você relembre de um tempo que já não lhe pertence mais", conta.

Jefferson Sousa, diretor de

Jefferson Sousa, diretor de "Leonardo Bastião, o poeta analfabeto" - Crédito: Divulgação



O jovem diretor de 25 anos foi guiado por um interesse não só jornalístico, mas também afetivo, já que sua família mantém fortes laços de amizade com Bastião. Mesmo com essa proximidade, não foi fácil convencer o poeta a participar das filmagens.

"Ele é um homem muito retraído, só confia no meu pai. Estava numa depressão profunda e se recusava a fazer versos, inclusive para mim. Depois de muita conversa, ele aceitou dar entrevista, mas sem declamar nada. Recorri a vídeos antigos para completar a montagem", afirma. O filme tem previsão de estreia no Recife em outubro e, em fevereiro do próximo ano, será disponibilizado gratuitamente na internet.

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