Cena de 'Morto Não Fala', com estreia nesta quinta (10) nos cinemas
Cena de 'Morto Não Fala', com estreia nesta quinta (10) nos cinemasFoto: Divulgação

O terror, como gênero, agrada a uns e desencanta a outros. Porque um cadáver que fala não necessariamente assusta ou ser dotado de poderes sobrenaturais não é indicativo que transforma alguém em um ser assustador. No entanto, para quem está “do lado de cá” e no afã de ser dominado pelo medo, algumas narrativas cinematográficas convencem. O longa “Morto Não Fala”, com estreia hoje nos cinemas, se enquadra nessa lógica.

Mas a produção, que marca a estreia do diretor Dennison Ramalho no formato, também leva a outros questionamentos além dos (poucos) sustos que causa ao longo das suas quase duas horas de duração. Uma delas, o viés social que traz à tona a violência que assombra periferias e deságua sangue nos necrotérios.

Embora "a intenção original do filme nunca tenha partido de um compromisso social", como garantiu o diretor em conversa com a Folha de Pernambuco, é isso que se assiste, ou melhor, que se percebe, dentro da narrativa de do filme, que toma como base um conto do professor Marco de Castro, fiel na ficção de terror. Protagonizado por Daniel de Oliveira, a narrativa traz à tona a rotina de um plantonista noturno de um necrotério (Stênio) e a sua capacidade de dialogar com os mortos que passam a lhe confidenciar segredos terrenos, entre eles, o de que ele está sendo traído pela esposa, personagem vivida pela atriz Fabíula Nascimento (Odete). Tomado pelos segredos que passa a escutar, ele começa a arquitetar a morte de Jaime, o amante (Marco Ricca).

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"Nossa intenção foi fazer um filme de terror ambientado no Brasil, e tudo que veio como lado social foi como pano de fundo que se impôs, mas nunca um ponto de partida. Assim como ele (Marco de Castro) faz na literatura, eu quero fazer no cinema, trabalhos com aspereza e escrotidão ficcional", ressalta Ramalho.

Algo do tipo 'terror gore' é explicitamente utilizado no filme, como subgênero. E disso vem o excesso do colorido sanguinário dos corpos levados para necropsias, somadas às vísceras expostas para a tela e às mutilações recorrentes, embora cenas típicas de uma rotina em um IML e, a propósito, muito bem reproduzidas por Daniel de Oliveira que, entre necrotérios de São Paulo e de Porto Alegre - mais especificamente um deles localizado no bairro paulistano da Lapa e que, segundo o diretor, é conhecido como "o podrão" - incorporou com maestria o seu papel de plantonista (e costurador de corpos), assim como cabe elogios à atuação de Bianca Comparato (Lara, a filha de Jaime, o amante).

"Daniel e eu estivemos em necrotérios e ele foi corajoso, ouviu muito do que passam os profissionais desses locais e foi pronto para as gravações, ciente das experiências vividas."

À parte do bizarro dos cadáveres falantes, entregues a recursos digitais mal utilizados e que destoam de uma possível naturalidade que poderia ter em um diálogo entre mortos e vivos, o filme - o primeiro do gênero produzido pela Globo Filmes - esboça um diretor que transita com facilidade pela narrativa. "O projeto soube balancear as convenções do gênero e evitar alguns clichês, para oferecer uma narrativa de terror brasileira", enaltece ele que, satisfeito com a repercussão que o longa teve fora do País, chega às terras tupiniquins com a gana de exaltar o gênero.

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