Christian Bale e Matt Damon já estão entre os possíveis indicados ao Oscar
Christian Bale e Matt Damon já estão entre os possíveis indicados ao OscarFoto: Divulgação

Apesar do título, "Ford vs Ferrari" não é um filme sobre dois dos maiores fabricantes de carros do mundo. O embate histórico entre as duas empresas até que aparece como pano de fundo da trama, mas a verdadeira luta que o longa-metragem - cuja estreia nas salas de cinema brasileiras ocorre nesta quinta-feira (14) - se propõe a mostrar é entre autenticidade e corporativismo.

Nos anos 1960, a montadora norte-americana resolveu entrar no ramo das corridas automobilísticas, decidida a mudar sua imagem e atrair um público mais jovem. Juntos, o designer de automóveis Carroll Shelby (Matt Damon) e o piloto Ken Miles (Christian Bale) conseguiram derrotar a escuderia italiana no torneio de 24 horas de Le Mans, na França, colocando seus nomes no hall da fama do esporte. Até chegar lá, precisaram vencer diversos obstáculos, sendo a interferência empresarial o principal deles.

Dirigido por James Mangold, com roteiro de Jez Butterworth, John-Henry Butterworth e Jason Keller, o filme tem na dinâmica entre seus dois protagonistas um fio condutor que o torna atraente não apenas para os fãs de competições automobilísticas. Ex-piloto afastado das pistas por um problema no coração, Shelby é contratado para chefiar a nova empreitada da Ford. Ele vê em Miles o único homem com talento suficiente para levar a equipe até a sonhada vitória. O único problema é a personalidade antissocial e nada submissa do piloto, vista como uma ameaça por alguns dos executivos da empresa.

Leia também:  
'Dois Papas' é um filme propaganda eficaz que retrata a Igreja unida
Filme 'Bate coração' usa bom-humor para falar de coisa séria


Fora do ambiente de adrenalina das pistas, os personagens demonstram suas fragilidades. Relações familiares e discursos de superação acabam roubando a cena por diversas vezes, conferindo ao longa uma dose extra do sentimentalismo típico das produções hollywoodianas. As atuações de Damon e Bale (que mais uma vez emagreceu drasticamente para um papel), no entanto, dão deixam com que esses momentos desandem para o melodrama. A presença dos atores no elenco, aliás, é o grande trunfo da obra. Tanto é que ambos estão na disputa por uma indicação ao Oscar de 2020.



Para além do carisma da dupla de protagonistas, a produção ganha muitos pontos com a direção. Manglod acerta em cheio ao fugir do clichê glamourizado, que normalmente acompanham os filmes de corrida. Há suor, graxa e tensão nas cenas de corrida, sempre eletrizantes. O clima claustrofóbico dentro carros e o ronco amplificado dos motores fazem com que o espectador se sinta com o volante na mão, correndo em alta velocidade por uma autoestrada qualquer.

veja também

comentários

comece o dia bem informado: