Laís Santos Araújo está envolvida com o roteiro de 'Marina' há quase três anos
Laís Santos Araújo está envolvida com o roteiro de 'Marina' há quase três anosFoto: Vitor Carvalho/Divulgação

"Marina", um projeto de longa-metragem da cineasta alagoana Laís Santos Araújo, acaba de ser escolhido pelo Hubert Bals Fund (fundo de financiamento ligado ao Festival de Rotterdam, na Holanda) para receber uma ajuda nos custos de desenvolvimento do filme.

Entre 480 inscritos, vindos da América Latina, África, Ásia e Leste Europeu, "Marina" foi um dos onze selecionados e deverá receber 9 mil euros (o equivalente a cerca de R$ 41.800) para aperfeiçoar o roteiro, entre outros custos que não estejam ligados à produção propriamente dita. Além disso, o prêmio inclui a garantia de exibição do filme no festival, um dos mais importantes do mundo.

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"Somos dois jovens realizadores tentando produzir seu primeiro longa, então receber esse atestado de confiança no projeto é um estímulo para a gente e, espero, para outros realizadores que estão tentando viabilizar seus filmes", afirma Pethrus Tiburcio, que, a partir deste ano, passou a dividir a roteirização e direção com Laís. "Mais do que nunca, precisamos focar na finalização do texto. Eu, por exemplo, quero poder parar de trabalhar em outras coisas que não sejam esse projeto, para em breve deixar tudo no ponto de gravar", conta Laís, por sua vez.
Ela descreve "Marina" como um "filme de amadurecimento", em que a personagem principal passa por diversas transformações. Marina tem 14 anos e vive em Maceió, terra natal de Laís, que usou muito de sua própria experiência para criar o argumento do filme. Envolvida na organização de um baile de debutantes, Marina começa a sofrer a influência da violência presente na capital de Alagoas. "Vai ser uma história de Alagoas no mundo, através do cinema", afirma Laís, que não quer adiantar detalhes da história para que esta não perca seu impacto.

Hubert Bals Fund é um estímulo para os realizadores de 'Marina' e outros cineastas, diz Pethrus Tibúrcio

Hubert Bals Fund é um estímulo para os realizadores de 'Marina' e outros cineastas, diz Pethrus Tibúrcio - Crédito: Moema França/Divulgação

O filme será dirigido pela dupla, com produção da Aguda Cinema, de Alagoas, e da Carnaval Filmes, de Pernambuco. Não é o primeiro edital que "Marina" vence. No ano passado, o projeto foi contemplado no Porto Iracema das Artes, no Ceará, que se propõe a realizar programas de formação e criação em diversas áreas do campo cultural. "Foram seis meses viajando entre Fortaleza e Maceió", relembra Laís. 
"Marina" também conquistou um prêmio de produção da Agência Nacional do Cinema (Ancine) e do Fundo Setorial Audiovisual (FSA) Regional de Alagoas, fazendo jus a R$ 1,2 milhão que deverá ser empregado na produção do filme. "Apesar dessa verba estar destinada a nós, estamos ansiosos porque não sabemos como será o futuro da Ancine", lamenta Laís, referindo-se à recente crise enfrentada pelo órgão. Assim, não há certeza de quando, e sequer se, o valor será liberado.

Pethrus, porém, é otimista. "Dentro de um contexto de perseguição e destruição de políticas públicas voltadas para a cultura e o audiovisual no Brasil, os reconhecimentos que tivemos se tornam pequenos sinais de possibilidade de continuar, de resistir", avalia.
  
A expectativa é de que "Marina" comece a ser rodado em 2021, mas, antes disso, a equipe de produção terá o desafio de obter novos patrocinadores, inclusive formando parcerias fora do Brasil. 

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