Martin Scorsese, cineasta
Martin Scorsese, cineastaFoto: Reprodução/Instagram

Possível candidato ao Oscar em 2020, o filme "O irlandês", estreou na Netflix na semana passada, após um curto período de exibição em poucas salas de cinema. Com o serviço de streaming, o usuário pode assistir à produção em diferentes plataformas. O diretor Martin Scorsese, no entanto, não quer que o público veja seu mais novo longa-metragem através da tela de um celular.

"Eu sugeriria, se você quiser ver um das minhas produções, ou a maioria dos filmes, por favor, não veja em um telefone. Um iPad, um iPad grande, talvez", declarou o cineasta ao crítico norte-americano Peter Travers em seu programa no YouTube. O diretor prosseguiu, defendendo que ir ao cinema é a melhor forma de ver seu filme, mesmo com a longa duração de três horas e meia.

"Idealmente, eu gostaria que você fosse ao cinema, assistisse do começo ao fim. Eu sei, é longo. Você precisa levantar, ir ao banheiro, esse tipo de coisa. Eu entendo. Mas mesmo em casa, se você conseguir tirar uma noite, uma tarde, e não atender o seu telefone, não levantar muitas vezes, pode funcionar", disse. Com Robert De Niro e Al Pacino no elenco, "O irlandês" conta a história de um veterano de guerra que se vê envolvido com a máfia italiana nos Estados Unidos.

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Perguntado sobre a possibilidade de fazer filmes especificamente para os aparelhos móveis, o diretor confessou: "Certamente, eu poderia dizer que, nos últimos 20 anos, fiz filmes para a televisão e para os cinemas. Nunca para celulares. Não sei como fazer. Eu gostaria, mas não sei como. Sinceramente, não entendo".

As declarações de Scorsese repercutiram nas redes sociais. Alguns fãs reagiram ao pedido do cineasta publicando fotos assistindo ao longa em seus smartphones. No Twitter, a Netflix chegou a responder ao comentário de um assinante, que brincou com a situação dizendo que sentia que o cineasta apareceria para bater nele se ele visse o filme em seu telefone durante uma viagem de ônibus de quatro horas.



"Ele absolutamente aparecerá, mas em vez de uma surra, ele simplesmente se sentará à sua frente durante todo o filme e brilhará os olhos de uma maneira avô que diz: 'está tudo bem meu filho, formatos e apresentações são importantes, mas sua experiência artística é válida, não importa como você o recebe'", contornou a empresa.

Essa não é a primeira vez que Scorsese demonstra seu descontentamento com os rumos da indústria do audiovisual. Em outubro, o diretor de "Touro indomável" e "Táxi driver" afirmou à revista britânica Empire que a Marvel "não faz cinema de verdade". No início de novembro, ele reforçou seu posicionamento com um artigo publicado no jornal New York Times, dividindo opiniões entre espectadores e profissionais de Hollywood.

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