Filme "1917"
Filme "1917"Foto: Divulgação

Ganhar o Globo de Ouro é um chamariz e tanto para qualquer filme, ainda mais quando o vencedor em questão é um azarão e desbanca todos os favoritos. É o caso de "1917", que surpreendeu o público ao levar a estatueta de melhor drama na edição de 2020, deixando para trás gigantes como "O irlandês" e "Coringa". O longa-metragem do diretor Sam Mendes ("Beleza americana", "Foi apenas um sonho") estreia no Brasil só em 23 de janeiro, com sessões prévias nos dias 18 e 19, mas já desperta curiosidade.

Mas, afinal de contas, o que explica a inesperada conquista de "1917"? No que diz respeito às qualidades da obra cinematográfica em si, ao menos, é possível apontar alguns possíveis motivos. O filme é um retrato do diretor sobre a Primeira Guerra Mundial, inspirado nas histórias que ele ouviu do próprio avô, Alfred Mendes, que serviu no exército britânico. Não se trata, no entanto, de uma trama biográfica. Sam Mendes, que pela primeira vez também assinou o roteiro de um trabalho seu, apenas recorreu a esse e outros relatos de guerra para criar uma história absolutamente ficcional.

O longa-metragem acompanha dois jovens soldados britânicos, Schofield (George MacKay, de "Capitão Fantástico") e Blake (Dean-Charles Chapman, que viveu o rei Tommen Baratheon, da série "Game of Thrones"), em uma missão que pode custar suas vidas. A dupla é encarregada de entregar aos aliados a ordem de abortar um ataque às tropas alemãs, evitando que 1.600 combatentes caiam em uma armadilha mortal. O problema é que, para que o aviso chegue ao destino, os mensageiros precisam cruzar territórios dominados pelos inimigos.

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Embora a dramática corrida contra o tempo dos soldados tenha seu valor enquanto "criador de tensões" no roteiro, o que mais prende a atenção do espectador na telona é a experiência cinematográfica quase imersiva proporcionada por Sam Mendes e seu diretor de fotografia, Roger Deakins. Em um gênero tantas vezes explorado como o de filmes de guerra, eles inovam ao filmar em um longo plano-sequência, ou seja, sem cortes aparentes. A técnica, além de praticamente levar o público para dentro dos campos de batalha, imprime um ritmo de tirar o fôlego.



Mais do que estrondosas cenas de explosões e tiroteios, o que garante a excelência de "1917" é a abordagem dos laços humanos. Em um momento em que rumores de guerra voltam a aterrorizar a população mundial, é extremamente válida uma obra que evidencia a completa destruição física e psicológica proporcionada por um conflito armado de proporções gigantescas.

Mesmo sem muito tempo para trabalhar as emoções dos personagens, o filme consegue explorar bem os momentos dramáticos. Prova de que o diretor não errou ao escolher rostos pouco conhecidos pelo grande público para serem seus protagonistas. O elenco até conta com atores famosos, como Benedict Cumberbatch e Colin Fith, mas esses surgem em cenas muito rápidas e pouco marcantes. As ausências não chegam a fazer grande diferença no longa, já que as performances entregues pela dupla de novatos não decepciona.

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