Refilmagem de "O Grito" chega aos cinemas
Refilmagem de "O Grito" chega aos cinemasFoto: Divulgação

O cinema de horror japonês viveu uma fase de notória expansão na virada do milênio, quando uma onda de remakes de produções nipônicas tomou conta do mercado hollywoodiano. O filme "O Grito" nasceu desse movimento, assim como "O Chamado", "Pulse" e "Água Negra". Refilmagem norte-americana do original "Ju-on" (2002), a obra ganhou uma versão norte-americana em 2004, com duas sequências lançadas em 2006 e 2009. Após 15 anos, a história está de volta às telas em um reboot dirigido pelo jovem cineasta Nicolas Pesce.

A premissa do novo filme é a mesma de seus antecessores: uma casa possuída por uma terrível maldição que persegue qualquer um que entra nela. A atriz Andrea Riseborough interpreta a detetive Muldoon. Após ficar viúva, ela se muda com o filho para uma cidade aparentemente pacata. Logo nos primeiros dias de trabalho na nova delegacia, a policial acaba se deparando com uma morte que parece estar conectada a um caso anterior. Obstinada a desvendar o mistério, ela acaba se tornando alvo da força maligna que habita uma residência abandonada, palco de diversos assassinatos.

Na medida em que a protagonista mergulha nas histórias ligadas à casa, o filme é tomado por flashbacks que tentam explicar melhor os fenômenos sobrenaturais expostos. A partir de então, a trama se desenvolve em três arcos narrativos diferentes, todos marcados por desfechos violentos. Nicolas Pesce, que também assina o roteiro, falha terrivelmente na tentativa de costurar esses enredos.

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Se por um lado o vai e vem temporal não chega a prejudicar o entendimento do público, por outro o excesso de personagens e dramas mal desenvolvidos não conseguem fazer com que o espectador crie apreço pelas histórias. Outro pecado que o diretor comete é o de recorre à fórmula fácil das jumpscares (cenas de susto), que de tão batidas já não amedrontam mais quase ninguém.



Do ponto de vista técnico, o novo "O Grito" é muito superior à primeira versão ocidental do longa. Maquiagem, efeitos visuais e trilha sonora possuem uma sofisticação que o remake de 2004, dirigido por Takashi Shimizu, passava bem longe de demonstrar. A produção conta nomes proeminentes de Hollywood. Além de Andrea, John Cho, Demian Bichir, Lin Shaye e Betty Gilpin estão no elenco. Apesar de alguns aspectos positivos, a obra está abaixo da média do que se espera encontrar em um filme do gênero - mesmo entre aqueles mais esquecíveis.

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