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João Luiz Vieira

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João Luiz Vieira, e-mail vieiraluizjoao@gmail.com
João Luiz Vieira, e-mail vieiraluizjoao@gmail.comFoto: Bianca Vasconcellos

As pessoas ainda se confundem ao defender a igualdade de direitos entre indivíduos do sexo masculino e os do feminino. Quer um exemplo? A diferença entre feminismo e femismo. Você sabe qual é? O assunto de hoje é esse, mas, antes que me esqueça, sou um homem cisgênero, e se acredita que não tenho o direito de falar sobre o assunto por não ser mulher, cis ou trans, tudo bem, é um ponto de vista.

Experiência e compreensão são uma coisa só? Melhor dizendo, não é porque você é heterossexual que, necessariamente, compreende a heterossexualidade. Ou se homossexual, a homossexualidade. Ou transexual, a transexualidade, e assim por diante. Pode-se também entender a fundo a própria identidade, o gênero ou a orientação, mas, a princípio, é uma vivência, legítima, mas muito mais um sentir que um saber.

Dialoguemos, portanto, sobre feminismo, a "palavra" de 2017, segundo o dicionário americano Merriam-Webster. A força do substantivo tem a ver com aumento da busca pelo termo mundo afora, o que é em si uma excelente notícia porque mostra que há interesse em criar paradigmas. Não sei, porém, se por ignorância ou má fé, muita gente quer nos levar a crer que feminismo e femismo são sinônimos. Não, não são. Feminismo não é o contrário de machismo. O oposto do machismo chama-se femismo.

No machismo, o homem se acha superior à mulher em várias questões. No femismo, a mulher se acha superior ao homem em outras tantas. Feminismo, não. É um movimento social que defende a igualdade de direitos entre homens e mulheres, com paralelismo às lutas de outras minorias subjugadas. É uma proposta igualitária, não de superposição. E, sim, também existem muitos homens feministas, como, não se engane, há mulheres machistas e homens femistas.

Há, ainda, o oposto do feminismo, o masculinismo, que é um movimento que se mantém tímido. Ele vê a mulher como uma igual e, exatamente por isso, acredita que ela tem perfeitas condições de assumir as responsabilidades por seus atos, e não é simpático à ideia de regalias ou privilégios especiais. O masculinismo entende que existem papéis diferentes para cada gênero e ambos se completam.

Machismo e femismo, portanto, são preconceitos de gênero. A luta por igualdade de direitos das e dos feministas é mais do que legítima, é sensata, lógica e necessária. Em vez de brigarmos por ignorância, que tal provocar empatia e trazer o adversário para perto? Como diz Camile Paglia em sua coletânea de ensaios "Free Women, Free Men: Sex, Gender, Feminism" (Libertem mulheres, libertem homens: sexo, gênero e feminismo), citada em artigo recente de João Paulo Coutinho: "Queremos uma sociedade de mulheres e homens livres – ou uma farsa infantil onde as mulheres são tratadas como espécies protegidas e os homens como selvagens inimputáveis?".

Sutiãs ao céu


*João Luiz Vieira tem 33 anos de carreira na área de comunicação, sendo 28 deles como jornalista. Trabalhou em quatro jornais diários (Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, Jornal do Commercio e Correio de Jaboatão), quatro revistas (Época, Marie Claire, Quem Acontece e Top Magazine) e dois portais de internet (Terra e IG). Pós-graduado em Projetos Culturais e Educação Sexual, assina como autor/coordenador os livros “Construindo Daniel” (Harper Collins/2017), “Sexo Sem Tabu” (Planeta/2017), “Kama Sutra Brasileiro” (Planeta/2016) e “Sexo com Todas as Letras” (E-Galaxia/2013). Desde 2017 atua em sociedade com Kahuê Rozzi no projeto Sexo Sem Medo, do YouTube, onde responde por roteiro e apresentação. Hoje também atua como colunista de sexualidade nos portais UOL, Folha de Pernambuco e Futuro do Sexo.

** A Folha de Pernambuco não se responsabiliza pelo conteúdo das colunas.

 

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