Pedro Salustiano apresenta a Dança dos Arcos do Cavalo Marinho
Pedro Salustiano apresenta a Dança dos Arcos do Cavalo MarinhoFoto: Ana Lira/Divulgação

Seis de janeiro é o Dia dos Santos Reis - que segundo a tradição cristã, foi aquele em que o Menino Jesus recebeu a visita de Gaspar, Belchior e Baltazar, que seguiram a Estrela Guia até Belém. Nesta data, os católicos encerram os festejos natalícios, desarmando presépios e árvores de Natal. Em todo o Brasil, existem brincadeiras que comemoram a data, como os reisados, folias de reis e, em Pernambuco, o cavalo marinho e o pastoril.

Neste domingo, no Recife, a partir das 17h, haverá a tradicional celebração da Queima da Lapinha, cuja liturgia começa às 17h, no Pátio do Carmo, e termina no Pátio de São Pedro, ambos no bairro de Santo Antônio, no Centro. Lá vai acontecer a queima da propriamente dita - abrindo oficialmente alas para os preparativos para o Carnaval.

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O ritual vem do século 19. Desta edição do evento, participarão os pastoris Lindas Ciganas, Estrela Brilhante, Estrela Guia do Cabo, Estrela do Mar, Giselly Andrade, Pastoril Infantil da UR-3, Luz do Amanhecer, Sonho de um Adolescente, Tia Marisa, Tia Nininha 3ª Idade e Viver a Vida 3ª Idade.

A lapinha, que simboliza a manjedoura onde nasceu Jesus e é feita de folhas, palha e outros materiais, é conduzida pelos pastoris ao som de cânticos e jornadas. Além de acompanhar o cortejo, as pessoas podem escrever pedidos em pedaços de papel - para que queimem junto com a lapinha e sejam atendidos ao longo do ano.

Queima da Lapinha acontecerá no Pátio de São Pedro

Queima da Lapinha acontecerá no Pátio de São Pedro - Crédito: Daniel Tavares/PCR

Na sequência, às 19h, na Cidade Tabajara, em Olinda, vai ocorrer a 24ª edição da Festa de Reis, na Casa da Rabeca (rua Curupira, 340), com apresentação de grupos de cavalo marinho - que trarão números tradicionais como a dança dos arcos, o mergulhão e personagens variados.

"Esta festa foi trazida para Olinda por meu pai, Mestre Salu, ainda na década de 1960. Hoje, os filhos, netos e bisnetos estão levando a tradição adiante", orgulha-se Pedro Salustiano, que é um dos coordenadores da Casa da Rabeca e dança e toca no Boi Matuto, um dos grupos que irão se apresentar.

Pedro explica que o cavalo marinho é típico de Pernambuco e faz uma espécie de teatro de rua com mais de sete horas de espetáculo com música, dança e improviso, trazendo personagens humanos, animais e fantásticos. "Há muitos grupos na Zona da Mata Norte, em cidades como Goiana, Aliança e Camutanga, mas na região da capital só o Boi Matuto e o Boi da Luz, que é formado por jovens aqui da Cidade Tabajara", conta.

Além destes dois grupos, neste domingo vão se apresentar também o Cavalo Marinho Estrela Brilhante, de Condado, e o Boi Tira Teima, de Glória do Goitá. A entrada e o estacionamento serão gratuitos.

Festival teve início na rua Domingos Siqueira, onde vivia o poeta Louro do Pajeú

Festival teve início na rua Domingos Siqueira, onde vivia o poeta Louro do Pajeú - Crédito: Mariana Pinheiro/Divulgação

Em São José do Egito, a 396 km da capital, o Dia de Reis também é a data de comemoração do aniversário do poeta Louro do Pajeú, falecido em 1992. A festa católica já era uma tradição da cidade, onde é feriado. Por uma coincidência feliz, um dos maiores símbolos da região nasceu justamente em seis de janeiro.

"Desde os anos 1950, meu avô comemorava o aniversário com um baião de dois e muito repente e poesia, atraindo para o terraço de casa gente como Luiz Gonzaga, Patativa do Assaré, Gilberto Gil e muitos outros", conta o poeta Antônio Marinho, que é neto de Lourival Batista.

Com a morte de Helena, esposa de Lourival, em 2005, houve um hiato de cinco anos na celebração, retomada em 2011 por moradores da rua Domingos Siqueira - que, inconformados com o fim da folia, organizaram um trio de pé de serra em homenagem ao poeta. "Depois dessa puxada de orelha, a família transformou a casa dos meus avós, que estava fechada, no Instituto Lourival Batista, e a partir de 2012 começamos a organizar o festival".

Atualmente, a festa conta com cinco pólos e traz para o Sertão do Pajeú oficinas, palestras, lançamentos de livros, apresentação de cinema e, claro, muitos shows de música e poesia. Atraindo um público de, em média, três mil pessoas, o festival lota hotéis e pousadas e faz turistas organizarem vans que saem de várias cidades.

Os festejos começaram na última quinta-feira, com a Missa da Epifania (rezada em versos e as homilias cantadas pelos repentistas Adelmo Aguiar e Gilberto Alves). O ápice, porém, será mesmo no Dia de Reis. Entre as atrações esperadas no festival, estão nomes como Antônio Carlos Nóbrega, Wilson Freire, Bráulio Tavares, Luna Vitrolira e vários outros. 

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