Artistas agradecem às mais de 500 pessoas que compareceram ao Teatro de Santa Isabel na noite do último sábado
Artistas agradecem às mais de 500 pessoas que compareceram ao Teatro de Santa Isabel na noite do último sábadoFoto: Aline Feitosa

A música de Pernambuco vive um momento peculiar. Triste de quem sofre de saudosismo, achando que a história e força das boas composições se esvaiu em Capiba e Nelson Ferreira; em Chico Science e toda a turma da cena Manguebeat. No último sábado (13), o Teatro de Santa Isabel, uma das mais emblemáticas e históricas casas de espetáculos do Brasil, teve suas 570 poltronas ocupadas por pessoas que já entenderam a nova movimentação.

Gente que pagou ingresso para ver de perto o “Reverbo”, mostra de música autoral, que em sua quinta edição reuniu 17 artistas de várias regiões pernambucanas. Aos leitores, que fique bem claro: "Reverbo não é movimento”. É movimentação, segundo o músico que representa a interseção entre as cabeças pensantes e criativas que estavam no palco na noite do último sábado (13).

Juliano Holanda, que em 2015 lançava seu primeiro trabalho solo, “A arte de ser invisível”, saiu do estado oculto (mesmo que naquele tempo já tivesse mais de 100 composições de sua autoria gravadas por diversos artistas) para entrar em um outro modo de atuação. Por talento e competência, considerado um dos mais ativos compositores da atualidade no País, deixou de lado a invisibilidade e, por escolha, trouxe com ele, para os holofotes da nova música de Pernambuco, compositores e intérpretes que ia conhecendo e formando parcerias, do Sertão ao Litoral.

Enquanto os companheiros se apresentam, os demais ouvem atentos, com ar de admiração e comunhão

Enquanto os companheiros se apresentam, os demais ouvem atentos, com ar de admiração e comunhão - Crédito: Aline Feitosa



O resultado é, sem dúvidas, surpreendente. E o formato do "Reverbo", certamente, aparece neste momento de País como um modelo de vanguarda na história da música brasileira. Simplesmente porque vai além da conexão entre artistas. Tudo começa na disponibilidade de um ouvir o outro, cantar o outro. O único instrumento de acompanhamento para as canções é o violão. Reuniões no pequeno apartamento de Juliano e sua companheira, a produtora Mery Lemos, começaram há cerca de quatro anos, e se transformaram em um laboratório afetivo, onde competitividade é palavra extinta.

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Os dezessete que estavam no palco do último sábado, representam um terço, contando por baixo, segundo Juliano, da compilação de talentos musicais espalhados por Pernambuco. Para eles, que não são um grupo, e se auto afirmam como família, existe uma consciência em comum na produção dos encontros: “Sozinho a gente vai mais rápido. Junto, a gente vai mais longe”. Outras quatro mostras já foram realizadas do ano passado para cá, chegando inclusive a Santa Cruz do Capibaribe e Caruaru.

Sábios e carinhosos entre eles e com o público que os acompanham, já vêem de perto, em suas carreiras individuais, a força da movimentação que reverbera. Na semana passada, a cantora Zélia Duncan lançou o single “O que mereço”, de autoria de Holanda e que estará no primeiro disco de Tonfil, artista do Sertão do Pajeú, de uma doçura na voz encantadora.

São muitos para se falar, mas também podemos citar aqui Flaira Ferro, multiartista que esse mês foi convidada por Pitty para abrir seu show no Baile Perfumado. Dia desses, por exemplo, quem estava no apartamento de Juliano e Mery, curioso para ouvir essa “turma nova de Pernambuco”, foi Chico César. De lá, saiu encantado e voltou para a Paraíba conectado com vários deles. Almério, que já teve nas mãos o Prêmio da Música Brasileira, tem estado em vários grandes palcos e festivais e no mês passado foi aclamado pelo público em seu show no Teatro Riachuelo, no Rio de Janeiro.



Bem, só na noite de sábado, tinham no palco 17: os vindos e vividos da “capital” Juliano Holanda, Marcello Rangel, Flaira Ferro, Jr. Black, Luiza Fittipaldi, Vinícius Barros, Igor de Carvalho, Mayra Clara; e os do interior, PC Silva (Serra Talhada) Alexandre Revoredo (Garanhuns) , Gabi da Pele Preta (Caruaru), Almério (Altinho), Tonfil (São José do Egito), Ágda (Santa Cruz do Capibaribe), Lucas Torres (Goiana), Helton Moura (Arcoverde) e Gean Ramos (Jatobá). Mas, também temos que lembrar que já estiveram em mostras passadas, como Isadora Melo, Martins, Isabela Moraes, Rogéria Dera, Valdir Santos, Vertin Moura...




Uma lista que não é fechada, dizem eles, porque o abraço é grande e cabe todo mundo que esteja disposto a viver a relação de troca e comunhão da arte. “Sabemos da importância de cada um. E essa força é muito poderosa. Fazer show sozinho é incrível, mas nada se compara a estar junto com eles. Chega fico nervoso”, disse Almério, antes de entrar em cena. “É importante que a gente tenha a dimensão do que estamos propondo para este momento de País. Que a gente possa incentivar as pessoas a despertar, na prática, o afeto e a união na arte”, coloca Flaira Ferro. “Esta é minha primeira vez em uma mostra 'Reverbo'. Me sinto acolhida e agradecida”, colocou Luiza Fittipaldi.

Indígena Pankararu


Também pela primeira vez entre a movimentação, Gean Ramos, nascido em Jatobá, o músico é indígena Pankararu. A ele, coube o único poder de fala durante o show (além de Juliano, diretor musical), em 2h15 de espetáculo. “Aqui comigo, todos os pés de jatobá, de imburana, todo caroá, todos os encantos que estão ameaçados e todos os encantados que estão a batalhar, pedem para dizer que não vamos desistir”.



Para conhecer os artistas do "Reverbo", sugerimos acessar seus perfis no Instagram:
Juliano Holanda, Marcello Rangel, Flaira Ferro, Jr. Black, Luiza Fittipaldi, Vinícius Barros, Igor de Carvalho, Mayra Clara; PC SilvaAlexandre Revoredo, Gabi da Pele Preta, Almério, Tonfil, Ágda, Lucas Torres, Helton Moura e Gean Ramos, Isadora Melo. E ainda Martins, Isabela Moraes, Rogéria Dera, Valdir Santos, Vertin Moura.

No vídeo abaixo, Juliano Holanda, interseção e produtor musical do "Reverbo", responde à pergunta: Juliano, por que você faz isso? E canta "Braseiro", música dele em parceria com seu pai, Júlio Holanda.


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