Megan The Drag Queen
Megan The Drag QueenFoto: Ronne Araujo / Cortesia

Indo de encontro aos paradigmas, lançando tendências - na moda, na maquiagem - e quebrando recordes no cenário musical, muitas vezes internacionais - o caso da queen Pabllo Vittar é um ótimo exemplo deste feito - a cena drag vem reforçando a sua existência e mostrando, cada vez mais, os seus dotes.

No Recife não é muito diferente. Elas produzem festas, realizam design de roupas, elaboram workshops e usam o carisma, o potencial de simpatia, para levar alegria ao público. Tudo isso baseado em seus talentos - que se ressalte, são diversos. A intenção é se expressar, não importa qual o meio.

A diversidade de ritmos que agregou no ‘surgimento’ do Passinho se faz presente na música Baratinar da drag queen pernambucana Megan The Drag Queen. É com a presença desse ritmo que o ator Pedro Guerra dá o pontapé inicial na vida artística de sua cria.

No primeiro single de sua carreira como cantora, ela faz um convite ao fervo. “Solta essa batida que eu quero vê tu louca / chama geral porque a Megan está solta / eu não quero mais ficar parada, deixa eu me jogar / a vida é uma só, eu quero é baratinar”, diz a letra; logo em seguida, tem início um ritmo instigante e conhecido de quem mora no Nordeste: o tecnobrega aliado ao brega-funk.

Questionada sobre a presença do ritmo pernambucano em suas produções, Megan afirma que “o Passinho é um ‘patrimônio’ Recifense que está dominando o Brasil inteiro e eu, que sou uma nordestina arretada (risos), tenho que homenagear de alguma forma nosso passinho, que é contagiante”.

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Em recente performance em uma festa do Recife, a queen atraiu atenção do público com a sua forma ‘diferente’ de fazer a arte. “A gente está acostumado a ver uma galera fazendo drag apenas com performances - o que é ótimo e bastante representativo - e quando a gente [público] presencia uma apresentação em que a pessoa é a própria compositora é algo que chama bastante atenção. A performance dela na [festa] Tarantina foi algo inexplicável”, relatou o designer Ítalo Ramos.


Megan The Drag Queen

Megan The Drag Queen - Crédito: Arquivo Pessoal / Reprodução

A história do artista não começou agora. Ela é extensa e bastante surpreendente.“Desde sempre produzi conteúdos artísticos, já fiz projetos para a Beyoncé, Rihanna, Britney, Anitta - inclusive já abri o show dela, juntamente com meu antigo grupo de dança, o @grupoarmyoficial - , porém, decidi fazer algo autoral, onde eu pudesse expandir não só minha visibilidade como artista como toda a cena Drag Recifense. Então decidi entrar pro mundo da música e eu fico muitíssimo feliz com a repercussão, me dar força para continuar. Nada é fácil mas com fé chegaremos lá”, destaca em entrevista ao Portal FolhaPE.

Com duas músicas já lançadas, Megan trabalha em um projeto para o lançamento de um EP. “Um sonho absurdo em lançar um trabalho por completo para os seguidores fiéis da Megan, devo muito isso a todos eles. Mas ainda estou em processo de construção, prometo não desapontar”, promete a queen.

O clipe oficial da música 'Baratinar' será lançado neste sábado (24). Por enquanto, as referências que estão nos teasers de divulgação são nostálgicas. Principalmente pelo fato de fazer uma alusão à série 'Rebeldes' - que fez sucesso na América Latina, com maior ênfase no Brasil.

Festas
A produção e o quantitativo de festas voltados ao público LGBTI+ (Lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, intersexuais e outros), embora existam não chegam perto da quantidade disponível para o público hétero.

Para fortalecer essa rede, a queen Cássia Blue, 22, vem inovando e trazendo um momento para o público queer - a festa Blue é um bom exemplo disso. “Produzir festas no Recife é literalmente um desafio, principalmente quando você é LGBTI+. Faltam patrocínios e visibilidade, consequentemente, o desafio é bem maior. Visto que diferente de produções heterossexuais, a população que a comunidade representa lutou por anos e segue lutando em representação de espaços, seja por de fato ter o direito de ocupar e consumir algo que por anos o preconceito vetou, seja até por questões financeiras, sabe-se que algumas siglas têm muito mais dificuldades financeiras do que outras. Então o trabalho de produção parte inicialmente de um estudo desse público, do comportamento social e financeiro”, alega o estudante Cláudio Silva - que dá vida a Cássia Blue.

Drag, DJ e produtora Cássia Blue

Drag, DJ e produtora Cássia Blue - Crédito: Fernando Cysneiros / Divulgação

A festa segue em sua 10ª edição e conta com performances de artistas de diversos estilos - como forma de inclusão, drag queens e trans contam com entrada gratuita. Outras festas que aportam no Recife contam com essa espécie de fomentação e “políticas de inclusão”. Afinal, a realidade das travestis e transexuais não é algo fácil. Na maioria das vezes, a segregação acarreta em desemprego ou falta de oportunidade por uma simples orientação ou identificação de gênero. 

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