Jout Jout ministra palestra na Fenelivro neste sábado (2)
Jout Jout ministra palestra na Fenelivro neste sábado (2)Foto: Divulgação

Para começo de conversa, quase não teve conversa. Porque sabe-se lá quantos dias Jout Jout levou para chegar em terras pernambucanas, depois que resolveu sair do Rio de Janeiro em seu “possante” Fiat Uno vermelho, a quem ela chama de Bruno, e que tem personalidade, o tanto quanto ela e a decisão de explorar rodovias País afora para estar neste sábado à frente de uma palestra na Feira Nordestina do Livro (Fenelivro). Momento aliás, que a Youtuber assume ter dificuldade em definir sobre o que vai falar.

“É uma orgia mental que muda na hora, porque depende muito de quem está participando. Então podemos resumir com: vamos repensar a Babilônia”, respondeu ela ao ser questionada sobre sua participação na Feira, evento literário idealizado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) e Fundação Gilberto Freyre, e que segue em sua quinta edição até domingo no Centro de Convenções, em Olinda, com extensa programação e acesso gratuito.

Mas essa é a Júlia Tolezano, jornalista por formação e um tanto de outras coisas, por opção. Despretensiosamente depoir de um tal de "Não Tira o Batom Vermelho" - vídeo postado por ela como pontapé de um canal que hoje ultrapassa a casa de dois milhões de inscritos, o "Jout Jout Prazer" passou a ser uma das vias mais acessadas em um universo virtual que cabe tanto e de tudo mas se encaixa bem para poucos.

Leia também:
'Olhando o Céu, Viu uma Estrela': um afago a Dalva de Oliveira
Fenelivro abordará sustentabilidade


Pouquíssimos, aliás, se tivermos como referência uma desvairada - no sentido de alheia, por não estar nem aí com formalidades, cenários e protocolos de falas, e no sentido de insana, por ser uma sem juízo (necessária), por abordar com destreza assuntos que vão de cocôs a relacionamentos abusivos e talvez, exatamente por isso, por fazer o papel dela mesma, o seu realce sobre, e com folga, na multidão. "Acho que sempre fui assim, sei lá, a gente muda a cada segundo né? Mas a base, a essência, é essa aí", respondeu, ao ser indagada se sempre foi assim mesmo, livre, leve, solta, engraçada, espontânea e, doida do juízo.

Engana-se, porém, quem acha que a Jout Jout influenciadora digital abre mão de abraços e apertos de mão na vida real. "APENAS por necessidade profissional", assim mesmo, em maiúsculas, foi o que ela afirmou quando questionada sobre o seu estar no universo virtual em detrimento ao que pode ser palpável do "lado de cá" do mundo. Talvez por isso, também, ela ganhe em autenticidade, quando separa bem o que lhe supre como empreendedora e o que lhe atrai como pessoa, de carne e osso, sentimentos e rotina de anônima. "É ótimo, às vezes. É péssimo, às vezes", pontua ela sobre os prós e contras do antes e do depois da fama. E lá vamos nós, mais uma vez, arriscar outro "talvez por isso" ela atraia outras tantas 'gentes'.

A arte como via de salvação
- Mas então, Jout Jout, em um tempo tão difícil como o atual, e especificamente em se tratando de nossa cultura, como você percebe eventos como a Fenelivro, entre tantos outros, que insistem (persistem) e nos fazem respirar fundo, acreditar que sim, a arte em todo e quaisquer de seus vieses, pode nos salvar de tanta coisa.
- Eu acho incrível isso!

Curta e sincera. Econômica nas palavras, talvez. Mas suficientemente apta em discursos e questionamentos, com responsabilidade de levar adiante um canal de comunicação que, litreralmente, comunica e pesa para quem ouve, assiste, ri e chora. "Penso nisso todo dia ao acordar e ao dormir. E também ao almoçar, tomar banho. É uma bela responsabilidade. Mas eu acho ótimo, porque eu acho que eu sou ótima, então tudo bem uma pessoa ótima influenciar pessoas ótimas, né?", enaltece, sem falsas modéstias.

Autora de "Tá Todo Mundo Mal: O Livro das Crises", pela Companhia das Letras, Jout Jout, afinal de contas, também se arrisca em outros afazeres. Ministrar palestras, por exemplo, integra esse rol de compromissos paralelos ao seu 'Jout Jout Prazer'. Embora ela diga que... "Na verdade eu faço nada o dia inteiro. quer dizer, socialmente entende-se como nada, mas eu vejo com tudo. Tenho milhares de momentos ociosos e converso profunda e longamente a cada oportunidade que me aparece. é o que tenho feito no último ano".

E que o pensar no futuro, como fica? "Hoje não só tá ótimo como também já é coisa demais", ressalta. Mas ô Jout Jout, você daria que conselho para a sobrevida em meio ao caos de incertezas, injustiças, desesperanças e tal... "Eu acho que a gente tem que começar a imaginar novas formas de demonstrar poder, mas isso eu falo mais na palestra". Ao que parece, vamos mesmo repensar a Babilônia neste sábado, na Fenelivro, às 17h, no Palco Vasconcelos Sobrinho (Pavilhão do Centro de Convenções, Olinda).

veja também

comentários

comece o dia bem informado: