Monique Alfradique vive a ambígua Ilde, que ignora a moral para chegar ao poder
Monique Alfradique vive a ambígua Ilde, que ignora a moral para chegar ao poderFoto: Divulgação

 

Por sua ação promocional e identidade visual, “A Secretária do Presidente” seria apenas mais sátira da politicagem nacional feita pelo Multishow com elenco composto por nomes conhecidos da Globo. Entretanto, logo no início da trama, o texto afiado de Emílio Boechat já entrega que é possível abordar as idiossincrasias políticas de forma bem-humorada, mas sem cair no humor simplório. Coprodução do canal pago com a produtora independente Mixer, a série chega ao ar em um momento propício. Espécie de microcosmo da tríade de poder, sexo e corrupção que domina Brasília, a produção aborda, inclusive, a unidade entre partidos de direita e centro para compor a base aliada e a míngua oposição de uma combalida esquerda.
Com um pouco mais de investimento, “A Secretária do Presidente” teria uma estética à altura de seu texto. No entanto, a equipe de direção comandada por Julia Jordão faz milagre com o baixo orçamento do canal para coproduções. A falta de acesso da série a locações essenciais, mas manjadas, da capital federal é driblada com criatividade e cenários que combinam com o baixo escalão político que protagoniza as sequências. Em sintonia com o bom texto está a escalação de elenco. Sem uma boa oportunidade na tevê há alguns anos, Monique Alfradique brilha com uma atuação esperta e na medida da maldade com a ambígua protagonista Ilde, moça do interior que sonha com o posto de secretária do comandante do país, mas que não vê mal nenhum em passar por cima de moralidades cotidianas para chegar ao seu objetivo.
O grande tropeço da série é a presença de Bento Ribeiro como o jornalista Daniel. Mais humorista que ator, Bento caiu nas graças do Multishow e, mesmo com sua atuação preguiçosa, abocanha papéis importantes em produções do canal. No mais, a qualidade de seleção dos atores acaba valorizando “A Secretária do Presidente”. Nome mais conhecido pelo público de cinema e teatro, Fábio Herford surge inspirado na pele do deputado federal e líder evangélico Percival, em especial, nas cenas divididas com Patrícya Travassos, que vive na série a empresária do sexo Madame Cleice. Outros destaques ficam por conta de Leona Cavalli, Cris Nicolotti, Gabriel Louchard, Marcelo Laham e Giulia Nadruz.

 

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