Documentário 'Borboletas e sereias'
Documentário 'Borboletas e sereias'Foto: Divulgação

É uma das forças do documentário examinar as complexas camadas da vida contemporânea, pesquisando assuntos que não possuem resposta imediata para ampliar a potência de discussões. "Borboletas e sereias", da diretora Bárbara Cunha, é uma série documental que investiga a construção da identidade na infância.

As filmagens vão gerar 13 episódios para a televisão, que vai ser distribuída para os canais públicos pela Empresa Brasil de Comunicação, e mais um documentário de 70 minutos, que será lançado no cinema - ambos estão previstos para 2018.

Gravado no Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, o projeto nasceu de inquietações da cineasta. "Usualmente, o que me motiva a pesquisar um tema para um projeto é o incômodo, a incerteza", diz Bárbara. "O que me motivou a buscar informações sobre identidade de gênero na infância foi minha própria ignorância acerca do assunto. E percebi que existia um tabu. Mais que isso, um silêncio, um medo. E achei importante falar sobre isso. Com crianças e adultos", ressalta a diretora.

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O projeto - com codireção de Paulo Caldas, produção das 99 Produções, coprodução da Alumia Conteúdo, além da Lira Filmes, como produtor associado - seria inicialmente um curta-metragem. "Durante a pesquisa e a captação de recursos soube de um edital que pedia uma série que falasse sobre gênero e diversidade para a infância. Então, transformei o curta em uma série e fomos contemplados com o financiamento total para realizá-la", detalha Bárbara.

O conteúdo do projeto e as discussões em volta do tema geraram um acervo de imagens e entrevistas. "Com um material adicional, montaremos um corte para as salas de cinema", diz a diretora. "São produtos distintos para janelas e públicos diferentes. O alcance da TV é fundamental para o debate que o projeto propõe. E o documentário para salas de cinema permite que o projeto circule em outros territórios, por meio de festivais", diz.

O nome do projeto antecipa alegorias e perspectivas sobre o assunto. "O título é poético e traz dois elementos essenciais do enredo: as borboletas em metamorfose e as sereias, seres míticos, metade humanos, metade peixes", explica Bárbara. "A partir desses elementos que povoam o imaginário infantil, a série se propõe a falar sobre transformações", detalha.

Trajetória
Bárbara Cunha é formada em Design, mas trabalha com cinema desde 2000. "Meu primeiro trabalho com cinema foi em 'Amarelo Manga' (2002), de Cláudio Assis, onde fui estagiária", lembra. "Comecei como diretora de arte e figurinista e trabalhei em várias produções. Em 2007, fundei uma produtora audiovisual independente, a 99 Produções, em Pernambuco, em sociedade com meu companheiro, [o também cineasta] Paulo Caldas", detalha.

Este é o primeiro projeto de Bárbara na direção de uma obra audiovisual. "Comecei a trabalhar como assistente de direção e em seguida como diretora assistente dos projetos de documentários e ficção que fizemos", explica. "Desde então, trabalho com produção executiva, gerenciando os projetos da empresa", detalha Bárbara, que é filha do também cineasta Paulo Cunha. "Gostaria que este trabalho fosse suficientemente relevante ao ponto de não importar os nomes dos homens que me cercam", ressalta.

"Minha caminhada no audiovisual é pessoal - anterior ao meu companheiro e sem nenhuma ajuda de indicações do meu pai nos projetos dos quais participei", diz Bárbara. "Meu pai me ensinou a amar os filmes, na infância. Sou filha de um grande intelectual e profundo conhecedor do cinema. E sou casada com um grande cineasta. Ambos me influenciam e tenho profundo respeito por eles. Mas este projeto foi idealizado, criado e dirigido por mim", destaca.

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