Desenho de Erika, uma das meninas do quarto 28
Desenho de Erika, uma das meninas do quarto 28Foto: divulgação

A escritora e pesquisadora alemã Hannelore Brenner e as professoras Dra. Barbara Heller (Unip), Dra. Priscila Perazzo (Uscs) e as curadoras Karen Zolko e Dodi Chansky ministrarão palestra gratuita nesta quarta-feira (27), às 17h, sobre o livro "As Meninas do Quarto 28".  

O evento ocorre na Galeria Janete Costa, no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, mesmo local da exposição de mesmo título do livro, que está em cartaz até 29 de outubro, revelando a história de dez meninas que sobreviveram ao holocausto, através de documentos e principalmente desenhos feitos por elas nos dois anos de clausura, entre 1942 e 1944.

Leia também:
Galeria Janete Costa recebe exposição internacional
Censura em exposição do Santander Cultural expõe conservadorismo 
Artista usa HQ para mostrar dificuldades de ser criança no Brasil

 Autora do livro

Autora do livro "As Meninas do Quarto 28", mesmo título da expo em cartaz no Dona Lindu, faz palestra - Crédito: divulgação

Hannelore e companhia falarão sobre o processo de construção da memória no livro, publicado pela primeira vez na Alemanha, em 2004, após seis anos de pesquisas e entrevistas com as sobreviventes. Na época também houve uma exposição, com a presença de todas as sobreviventes do quarto 28, agora com 87 anos. No Brasil, a mostra foi montada de maneira diferente. "Na Alemanha, o holocausto é ensinado nas escolas. Aqui tivemos que contar de uma maneira mais cenográfica, visual e educativa", revela Karen. 

Durante a Segunda Guerra Mundial, os nazistas criaram várias prisões para judeus, LGBTQ+, negros, deficientes físicos e mentais, e todos os seres humanos que eles queriam exterminar do mundo. 

Houve uma prisão em especial que abrigou artistas, cientistas, músicos e intelectuais, pois não era possível 'sumir' tão descaradamente com personalidades conhecidas internacionalmente. A prisão ficava em Theresienstadt, uma pequena fortaleza a 60 quilômetros de Praga, na Tchecoslováquia. Foi lá que se conheceram "As meninas do quarto 28".

Brenner começou a conhecer as personagens que viraram suas amigas quando fazia uma pesquisa sobre a Opera Brundibár, um concurso de óperas infantis que foi interrompido quando a guerra começou. Mas foi encenada mais de 50 vezes no gueto.

Algumas das senhoras que fizeram parte dessa ópera começaram a lhe mostrar scrapbooks repletos de anotações, fotografias e documentos. "Elas me disseram que gostariam de fazer alguma coisa em memória das meninas que não sobreviveram", conta Hannelore. O mais rico relato foi o diário de Helga Pollak, com anotações in loco dos dois anos em que o grupo passou enclausurado.

Ao observar os desenhos, é possível perceber influências da escola Bauhaus, que foi fechada pelos nazistas. Quem dava aula para as meninas era a já conhecida artista Friedl Dicker-Brandeis. "Cada judeu só podia levar duas malas. Ela levou uma com material de pintura e livros, e ensinava técnicas de pintura. Para fazer com que as crianças relaxassem antes de começar a pintar, fazia exercícios de música. Elas esqueciam onde estavam. Conseguiam pensar em futuro. Há desenhos de fundo do mar, onde a maioria nunca esteve", revela Hannelore. Friedl depois foi para Auschwitz.

 

Hannelore Brenner, autora do livro As Meninas do Quarto 28, faz palestra nesta quarta-feira

Hannelore Brenner, autora do livro As Meninas do Quarto 28, faz palestra nesta quarta-feira - Crédito: divulgação 

Pelo quarto 28 passaram 60 crianças, das quais 15 sobreviveram. Casaram, estudaram; uma se tornou música, outra, professora; uma trabalha com moda. Algumas voltaram a Praga, algumas foram para Israel. Parte teve a felicidade de reencontrar a família. Todos os anos, as meninas que viraram irmãs se encontram em setembro, ano novo judaico, em algum lugar nas montanhas da República Tcheca, perto da Polônia.

Ao perguntar a Brenner se o holocausto de fato acabou, ela diz que não. "O holocausto não ensinou a humanidade. Continua havendo uma desumanização", declara. Quanto à censura que a arte vem sofrendo, Hannelore ressalta que é importante ficarmos atentos, pois esses foram os primeiros passos do nazismo. "Hitler começou fechando a escola Bauhaus e olha onde ele chegou", alerta.
  
Serviço:
Palestras com Hannelore Brenner (autora do livro “As Meninas do Quarto 28); Profas. Dra. Barbara Heller (UNIP) e Dra. Priscila Perazzo (USCS); Karen Zolko e Dodi Chansky (curadoras da mostra)
Nesta quarta-feira (27), das 17h às 19h30
Galeria Janete Costa (Parque Dona Lindu) - Av. Boa Viagem, s/n, Boa Viagem
Informações: (81) 3355-9825
Entrada gratuita

Desenho de Erika, uma das meninas do quarto 28
Desenho de Erika, uma das meninas do quarto 28Foto: divulgação
Autora do livro "As Meninas do Quarto 28", Hannelore Brenner
Autora do livro "As Meninas do Quarto 28", Hannelore BrennerFoto: Rafael Furtado/ Folha de Pernambuco
Autora do livro "As Meninas do Quarto 28", Hannelore Brenner
Autora do livro "As Meninas do Quarto 28", Hannelore BrennerFoto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco
Autora do livro "As Meninas do Quarto 28", Hannelore Brenner
Autora do livro "As Meninas do Quarto 28", Hannelore BrennerFoto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco
Autora do livro "As Meninas do Quarto 28", Hannelore BrennerExpo inspirada no livro "As meninas do quarto 28", de Hannelore Brenner
Autora do livro "As Meninas do Quarto 28", Hannelore BrennerExpo inspirada no livro "As meninas do quarto 28", de Hannelore BrennerFoto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

veja também

comentários

comece o dia bem informado: