“Meu Corpo é Político”, de Alice Riff, será primeiro longa a ser exibido no evento
“Meu Corpo é Político”, de Alice Riff, será primeiro longa a ser exibido no eventoFoto: Divulgação

“Querendo ou não querendo,/teus genes têm um passado político,/tua pele, um matiz político,/teus olhos, um aspecto político./O que você diz rem ressonância,/o que silencia tem um eco/de um jeito ou de outro político”, o poema da polonesa Wislawa Szymborska ressoa nesta terça-feira (21) no Recife com a abertura da 5ª edição do Recifest - Festival de Cinema de Diversidade Sexual e de Gênero.

Pela primeira vez, o festival exibe um longa metragem: “Meu Corpo é Político”, de Alice Riff, que será reproduzido no Cinema São Luiz, na Boa Vista, às 19h, trazendo à cena personagens representativos como Linn da Quebrada e Giu Nonato, Paula Beatriz e Fernando Ribeiro.

Após a exibição do documentário, haverá debate com uma das personagens: Giu Nonato, travesti e produtora cultural. “Giu veio para cá como avaliadora ano passado, e agora ela volta como personagem”, sintetiza. Haverá ainda na noite de abertura, uma performance da travesti Elza Show. “Ela tem mais de 70 anos, é recifense e está produzindo uma performance para este momento”, antecipa Pethrus Tiburcio, coordenador técnico e de produção do evento, incentivado pelo Funcultura.

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Este ano, o Recifest chegará a mais pessoas, indo também até elas, como destacou o também coordenador de produção do festival, Mauro Lira. “Procuramos não nos restringir ao centro da cidade do Recife, indo para as periferias, antes, como um convite, e seguindo para Caruaru na semana que vem [entre 28 e 30]”, disse. “Nos demais, nos mantivemos como uma mostra nacional, tendo mais de 20 cidades do Brasil estão participando”, completou.

Pethrus destacou ainda a nova forma como a programação foi organizada. “Costumávamos dividir entre as mostras, a pernambucana, a nacional, a internacional... Agora vamos estruturar de outra forma, a partir de eixos temáticos para que a experiência do público seja mais prazerosa”, pontuou.

Assim, as películas estão divididas entre “Corpos em convulsão”, “Mães e Filh@s” e “Super Poderes”. A nossa língua ainda não consegue representar as questões de gênero. “Por vezes usamos x, em outras a letra e, talvez o @ seja o mais claro de que não se trata de um erro de digitação”, comentou. “Procuramos assim representar outras letras da sigla LGBT”.

Além do longa, serão exibidos 34 filmes distribuídos entre as categorias nacionais, internacional e Dig.A, Diversidade de Gênero em Animação. Entre as propostas, se destaca o curta-metragem ‘Tailor”. O curta produzido por um homem transsexual fala sobre a cartunista (também trans) Tailor. Atenção também para o curta produzido por secundaristas sobre a Marcha das Vadias: “Por nós, pelas outras e por mim”, diz o grito dos estudantes.

Serviço:
Nesta terça-feira (21), às 19h
Abertura com homenagem e performance de Elza Show
Exibição de "Eternamente Elza" (Alexandre Figueirôa e Paulo Feitosa, Doc., 18’, 2013, PE) e "Meu Corpo é Político" (Alice Riff, Doc., 71’, 2017, SP)
Cinema São Luiz (Rua da Aurora, 175, Boa Vista)
Entrada gratuita, com retirada de ingressos 1h antes da sessão

“Meu Corpo é Político”, de Alice Riff, será primeiro longa a ser exibido no evento
“Meu Corpo é Político”, de Alice Riff, será primeiro longa a ser exibido no eventoFoto: Divulgação
Curta 'Fragmentos', de Karen Antunes, Nyandra Fernandes e Viviane Laprovita (RJ)
Curta 'Fragmentos', de Karen Antunes, Nyandra Fernandes e Viviane Laprovita (RJ)Foto: Divulgação
'Pele suja minha carne', de Bruno Ribeiro (RJ)
'Pele suja minha carne', de Bruno Ribeiro (RJ)Foto: Divulgação
'Tudo o que amo morre', de Lula Magalhães (PE)
'Tudo o que amo morre', de Lula Magalhães (PE)Foto: Divulgação

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