Leia Mulheres discute Conto de Aia
Leia Mulheres discute Conto de AiaFoto: divulgação

 

"O Conto da Aia", romance distópico (utopia que deu errado) da escritora canadense Margaret Atwood, publicado em 1985, voltou a ganhar os holofotes do mundo com a série televisiva "The Handmaid’s Tale", título original do livro de Atwood. Com a repercussão, não tardou a ser publicada uma reedição da obra da escritora.

Para quem não conhece a história, trata-se de um mundo totalitarista em que as mulheres são tratadas como reprodutoras e estupradas diariamente pelos homens, num situação que para nós parece apocalíptica, mas que no contexto da história é uma realidade cabível e normal, tal qual a dos tempos de tolerância ao feminicídio, violência de gênero, racismo e machismo em que vivemos atualmente.

O livro é tema do evento Leia Mulheres Recife deste mês, que ocorre nesta quarta-feira (6), às 19h30, no Edifício Texas, na Boa Vista. Aliás, ele já foi mote de vários outros grupos do Leia Mulheres pelo Brasil. Na capital pernambucana, os encontros são mediados por Carol Almeida e Maria Carolina Morais.

É interessante perceber como a situação política dos Estados Unidos estão também no centro da motivação da construção do romance e de sua reedição. "A obra foi escrita durante a candidatura de Ronald Reagan às eleições. Esse grupo trazia uma conduta moral que não dava voz ao feminismo, por exemplo. Tais grupos ajudaram Reagam a se eleger", conta Carol.

Algo semelhante aconteceu nas últimas eleições norte-americanas, em que o ultra-conservador Donald Trump galgou a presidência. Cerca de 30 anos depois, a história prova que os movimentos conservadores ficam apenas esperando uma oportunidade para virem à tona. "O livro é muito forte sob o aspecto crítico. A maneira como a autora descreve a protagonista, sem entregar o cenário logo de cara, fazendo idas e vindas no tempo, é uma forma de escrita muito potente. Os personagens são ambíguos; não existem mocinhos e bandidos", descreve Carol.

O que torna essa obra contemporânea é o processo de autorreflexão pelo qual ela nos faz passar. "Ajuda a perceber o mundo que pensamos que queremos. O mundo que temos hoje é racista, fascista e machista, e essas nossas bases sociais podem nos levar a lugares extremamente perigosos. Não tão catastróficos quanto o que Atwood descreve. Mas é importante para pensarmos sobre até onde podemos chegar", analisa Carol.

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