Fabrício Corsaletti imprime gênero literário fluido a seus textos
Fabrício Corsaletti imprime gênero literário fluido a seus textosFoto: Divulgação

"O que eu queria mesmo", diz um trecho do novo livro de Fabrício Corsaletti, "era botar num poema o pote de manteiga onde o chapeiro da padaria enfia sua colher". É um resumo do que o autor faz em "Perambule", lançado este mês, em busca do brilho das coisas pequenas. O volume traz 60 textos publicados em boa parte na Folha de São Paulo, onde o autor é colunista, além de inéditos.

São textos tanto de prosa quanto de poesia, mas Corsaletti define a edição como um volume de crônicas, um gênero literário fluido que pode se confundir com os demais gêneros.

Não é só a mistura de registros que nos permite chamar a edição de volume de crônicas. Estão lá as velhas características desse gênero: o interesse nas coisas prosaicas veja aí a manteiga do chapeiro, o tom de conversa na varanda, o falar sobre a morte da bezerra.

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"Das prosas curtas, selecionei as que tinham algum jeito de crônica (humor, tema cotidiano etc.), deixando as mais poéticas, que também publiquei na revista 'sãopaulo', para um outro livro que estou escrevendo, só de prosas curtas e poemas em prosa", diz o autor.

Olho da rua
A principal característica dos velhos cronistas que Corsaletti traz para o novo livro, contudo, é o gosto pela rua, aquele gastar sola de sapato por aí. "Ando muito a pé pela cidade e, quando viajo, a primeira coisa que faço é sair caminhando sem rumo", diz Corsaletti, que escolheu o título do livro a partir do poema Tarifa de Embarque, de Waly Salomão ("Perambule/ eis o único dote que as fatalidades te oferecem").

Assim, o leitor vai encontrar padarias, botecos, cinemas, oficinas mecânicas etc.
"Gosto de ler literatura com movimento. Um dos meus livros preferidos é 'O Spleen de Paris', de Baudelaire, em que ele praticamente inventa essa literatura do cara que vagabundeia pela metrópole moderna, novidade na época", afirma.

Entre outros livros sobre o assunto, ele destaca dois especialmente: "'O Jogo da Amarelinha', do Cortázar, e 'Paris É uma Festa', de Hemingway. Esses dois meio que me ensinaram como viver numa cidade grande e como escrever sobre essa experiência."
Escrever na imprensa, diz, ajuda na produtividade.

"O lado bom é que te obriga a produzir, além de ajudar a pagar as contas", diz. "Faz quase dez anos que não passo uma semana sem escrever. Antes, eu tinha uns períodos de seca. O lado ruim é quando você publica alguma coisa e no dia seguinte pega um erro ou descobre que o texto todo é uma porcaria."

Serviço:
Livro "Perambule", de Fabrício Corsaletti
Editora 34
Preço médio: R$ 38 (160 páginas)

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