Maria Bethânia e Zeca Pagodinho
Maria Bethânia e Zeca PagodinhoFoto: Luiz Fabiano/Divulgação

Zeca Pagodinho teve que quebrar alguns paradigmas para subir ao palco do Classic Hall ao lado de Maria Bethânia, para a turnê que iniciaram neste sábado (7), na casa de shows em Olinda. Em “De Santo Amaro a Xerém” é o nome do projeto que ainda percorrerá mais cinco cidades do Brasil até o fim de maio – e também nome de uma das novas canções mostradas no repertório, criada por Caetano Veloso.

Eles entraram em cena de mãos dadas, pelo corredor central, depois que a banda com nove músicos, liderados pelo maestro e violonista Jaime Alem, já está posicionada. E se despediram abraçadinhos, distribuindo sorrisos, depois do bis, com “Deixa a vida me levar” e “O que é, o que é?”, um clássico de Gonzaguinha.

Ele começa chamando Bethânia de rainha e se dizendo, “humildemente”, um plebeu. E confessa, ao longo da apresentação, que foi obrigado a fazer mudanças como participar de uma rotina de ensaios, algo que não costuma fazer, e experimentar músicas diferentes de seu repertório usual, como “Chão de Estrelas”, sucesso na voz de Silvio Caldas.

“Para ela, tem que estar perfeito, cantando direitinho”, brincou o sambista, sobre as exigências da amiga, conhecida pelo seu perfeccionismo. E ele, famoso pelo despojamento, estava elegante de terno branco na primeira metade da noite, mas não largou de dar uns golinhos em sua cerveja. “Essa é pra garganta, mas tem água aqui também, viu?”, entregou antes de “Vai vadiar”.

Se Bethânia já tem seu público fiel, cativo e é garantia de lotar os espaços culturais por onde passa com seus shows, Zeca Pagodinho também agrega seus fãs, que curtem um som mais descontraído, menos preso às convenções.

Seu lance é estar com os amigos, fazendo sambas no quintal de casa, daí a série de DVDs gravados em seu sítio em Xerém, no Rio de Janeiro, e onde Bethânia gravou “Sonho Meu”, no terceiro volume desta coleção.

Revigorado

Mas ter uma iluminação do quilate de Maneco Quinderé, ensaiar mesmo que fossem as mesmas músicas a que já está acostumado – e que mostra em sua porção solo no show, como “Samba pras moças” e “Verdade” (“Descobri que te amo demais, descobri em você minha paz...”) fez bem a Zeca. Mas o formato talvez ainda precise de ajustes.

Bethânia é uma intérprete como poucas na atual Música Popular Brasileira (MPB), dona de um timbre de voz inconfundível, que maneja com toda destreza, e ainda mais aos 71 anos. Canta descalça, dança em cena, faz do palco seu aliado, pelo tom teatral que empresta às canções, por vezes com trechos recitados.

Tem um cuidado especial com os figurinos, assinados por Gilda Midani (desta vez, um vestido verde com saia longa, armada, em tecido brilhante, top colorido, de tomara-que-caia; um visual de diva). Mas, na sua porção solo no show, optou por pout-pourri, como quando emendou “Ronda”, “Negue”, “Quixabeira” e “Reconvexo”. Para quem está mais acostumado a vê-la inteira e plena, mesmo com a energia boa dela e de Zeca quando cantam juntos, ficou um gostinho de quero mais.

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