Cecilia Brennand e Vânia Oliveira, do Aria Social/Casa de Maria: empoderamento feminino na Rua Solidária
Cecilia Brennand e Vânia Oliveira, do Aria Social/Casa de Maria: empoderamento feminino na Rua SolidáriaFoto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

A Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte) abriu nesta quarta-feira (4) sua 19ª edição, no Centro de Convenções de Olinda. A maior feira de artesanato da América Latina traz centenas de opções para os fãs de arte e cultura, indo das peças feitas por mestres tradicionais a produtos oriundos de outros países, passando por objetos descolados de decoração e comidinhas variadas.

No meio disso, se destacam os objetos que congregam "algo mais" para além de sua beleza ou utilidade - caso daqueles produzidos e comercializados por entidades que têm impacto social, como associações e organizações não-governamentais.

Exemplo disso é o estande do Aria Social, que trabalha com educação e profissionalização através da arte e trouxe um de seus braços, a Casa de Maria, para o stand 584 da rua 21 (mais conhecida como "Rua Solidária", por concentrar as organizações sociais). A Casa de Maria surgiu após a constatação de que as mães dos alunos atendidos no Aria ficavam ociosas, aguardando os filhos.

"O projeto é uma fonte de renda para essas mulheres. Elas são remuneradas e o lucro que sobra é revertido para o projeto. A ação é importante para que sejamos sustentáveis, sem depender apenas de doações", explica a idealizadora do Aria, Cecilia Brennand.

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É a segunda vez que a Casa de Maria participa da Fenearte. Desta vez, trouxe quase 600 peças para comercializar. São bolsas de crochê em fio de seda e de malha (que custam, em média, R$ 200 cada) e cestas e souplats de junco (a partir de R$ 128), além de roupas e acessórios da marca Conceito Marina, das estilistas Marina Correia e Marina Guedes.

De acordo com a coordenadora da Casa de Maria, Vânia de Oliveira, o projeto vem impactando positivamente as mulheres, gerando empoderamento e aumento na autoestima. "Elas assistem a palestras e aprendem um ofício, levando a um crescimento pessoal. Devemos lembrar que elas estão inseridas num cotidiano onde geralmente as mulheres estão em segundo plano, então através do projeto elas podem se reencontrar como seres humanos. Isso traz uma dimensão muito maior do que a financeira", destaca. Atualmente, o Aria atende a cerca de 80 mães e 450 crianças, que recebem formação de excelência em dança e música.

   Chance de ser visto 

 A oportunidade de vender e ter seu trabalho divulgado é motivo de felicidade para todos os que foram selecionados para participar do evento. Este é o sentimento que une os mestres Damiana Lima, que trouxe sua renda frivolité de Orobó, no Agreste, Paulo Izidório, que esculpe bancos com figuras de animais e veio de Petrolina, e Emírio José da Silva, o "Miro dos Bonecos", artista dos mamulengos que vive em Carpina. "A Fenearte é o céu dos artesãos", resume Miro. "A feira é puxada, mas não sinto cansaço. A alegria é grande demais", completa Damiana. 

Para quem vem de perto ou de longe, seja grande ou pequeno produtor, a Fenearte é uma vitrine cobiçada. Instalado na rua 20, o carioca Adriano Mathias trouxe os produtos da fábrica da família, a Bom Doce, de Saquarema, sem medo de parecer ambicioso. "Temos uma tonelada e meia para vender nestes doze dias. A expectativa é zerar o estoque", diz ele. Com sabores variados, o preço dos doces é um só: 7 reais a cada cem gramas, "valor competitivo porque estamos vendendo direto ao consumidor".

Também na rua 20, Conceição Costa trouxe bombons de cupuaçu, buriti, taperebá e outros sabores típicos do Pará, artesanato de madeira meriti e sachês com ervas aromáticas da Amazônia (como priprioca e pau rosa), além dos populares "banhos atrativos" - de nomes engraçados como "Agarradinho" e "Chora nos meus pés". "Venho há oito anos, isso aqui é maravilhoso", testemunha Conceição.

Da Tunísia, na África do Norte, o comerciante de perfumes e objetos étnicos El Aoudi também veio participar. Ele diz que fala seis línguas, e apresenta um português fluente. "Minha família está sempre na Fenearte, há 14 edições. Essa é a única feira de que participamos. Gosto muito do jeito dos clientes brasileiros, da forma como a Fenearte está estruturada. Aqui, percebemos a alegria de vocês. Tenho muito prazer em vir mostrar um pouco de nossa cultura", afirma ele, cujo estande está instalado no setor internacional, que congrega produtos de 22 países.

Cecilia Brennand e Vânia Oliveira, do Aria Social/Casa de Maria: empoderamento feminino na Rua Solidária
Cecilia Brennand e Vânia Oliveira, do Aria Social/Casa de Maria: empoderamento feminino na Rua SolidáriaFoto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco
Damiana Silva traz renda frivolité, especialidade de Orobó (PE)
Damiana Silva traz renda frivolité, especialidade de Orobó (PE)Foto: Arthur de Souza/Arquivo Folha
Conceição Costa trouxe o aroma do Pará para a Fenearte
Conceição Costa trouxe o aroma do Pará para a FenearteFoto: Arthur de Souza/Arquivo Folha
Adriano Mathias pretende vender 1,5 tonelada de doces nesta edição da Fenearte
Adriano Mathias pretende vender 1,5 tonelada de doces nesta edição da FenearteFoto: Arthur de Souza/Arquivo Folha
'Fenearte é o céu dos artesãos', diz mestre Miro de Carpina
'Fenearte é o céu dos artesãos', diz mestre Miro de CarpinaFoto: Arthur de Souza/Arquivo Folha
Tunisiano El Aoudi traz perfumes raros e objetos étnicos da África do Norte
Tunisiano El Aoudi traz perfumes raros e objetos étnicos da África do NorteFoto: Arthur de Souza/Arquivo Folha

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