Folha Gastronômica

Lectícia Cavalcanti

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Além da arte: Leonardo eternizou invenções
Além da arte: Leonardo eternizou invençõesFoto: Da editoria de Arte

Semana passada, referi algumas das invenções do grande Leonardo da Vinci, no exercício das funções para as quais foi contratado - “Mestre de Banquetes” e “Conselheiro de Fortificações” de Ludovico Sforza, governador de Milão. Quando algumas dessas geniais invenções davam problemas, era suspenso de suas funções e podia cuidar de suas telas e esculturas.

Mas sempre, depois, era convidado a voltar. E continuava inventando. Sobretudo “aparelhos que permitiam poupar tempo na cozinha”. Foi quando começou a escrever seus Cadernos de Apontamentos, formando o que hoje se conhece como Codex Romanoff. Entre essas invenções:

· Cortador de ovos em rodelas - acionado por um mecanismo de cordas.

· Cortador de massa fina (para ele, de spago mangiabile) - origem do atual spaghetti. Também máquina para enrolar esse spaghetti e, outra, para testar a resistência da massa.

· Cortador de agriões - uma engenhoca gigante que, na demonstração de seu funcionamento, conseguiu matar seis ajudantes da cozinha e três jardineiros. Mais tarde, Ludovico usou esse mesmo equipamento, com enorme sucesso, contra as tropas invasoras francesas.

· Esmagador de alho - pequeno aparelho que esmagava o alho apertando duas hastes com a mão. O instrumento se manteve inalterado até hoje. É conhecido, na Itália, e em muitos outros países, como Leonardo, uma justa homenagem a seu inventor.

· Lâmina misturadora - engrenagem de rodas dentadas e manivela, que substituiu o almofariz e o pilão.

· Máquina de cortar pão - movida a energia eólica, que cortava o pão em fatias finas, e depois enfiava todas as fatias em longos tubos.

· Moinho de pimenta - feito em madeira, com forma inspirada no grande farol Spezia. Semelhante aos que usamos hoje.

· Quebra-nozes - substituindo o processo usado até então de amarrar a noz na ponta de um chicote e bater no chão até quebrar. Tratava-se de uma prensa de mola acionada por três cavalos, girando em volta da prensa.

· Saca-rolhas - bem semelhante aos que usamos hoje.


O guardanapo é também invenção atribuída a Leonardo da Vinci. Desde quando passou a distribuir, entre convidados dos banquetes da Corte, panos quadrados individuais a que chamou de mantile - dada sua semelhança com mantilhas. Por não lhe agradar ver pessoas limpando as mãos nas toalhas da mesa, na cabeça dos escravos e sobretudo em coelhos amarrados nas cadeiras.

Assim escreveu: “O meu senhor Ludovico tem o costume de atar coelhos adornados com fitas às cadeiras dos seus comensais, a fim de que estes possam limpar as mãos engorduradas às costas do animal. E quando, depois da refeição, os animais são recolhidos e trazidos para a lavanderia, o fedor infiltra-se nos outros panos que são lavados conjuntamente com eles”. Esses guardanapos eram colocados nas mesas em forma de flores, palácios, pássaros.

Bom lembrar que Leonardo também criava bolos, para os grandes banquetes. Concebia estruturas gigantes. Verdadeiras obras de arte. Para o casamento do próprio Ludovico com Beatrice D’Este, criou aquele que seria o maior e mais diferente bolo do mundo. Queria que fosse inesquecível.

Uma réplica do Castelo dos Sforza, com 7 metros de comprimento e armado no pátio do castelo, com massa de polenta reforçada com nozes e passas cobertas de maçapão em várias cores. Conseguiu apenas atrair tantos ratos e pássaros que o bolo acabou destruído, o casamento adiado e Da Vinci, coitado, posto no olho da rua, outra vez.

Foi então trabalhar com o Prior de Santa Maria Delle Grazie, que estava à procura de um artista para pintar a parede do refeitório. E Leonardo pode enfim pintar, naquela parede, sua monumental A Última Ceia. Viva Mestre Leonardo!

É especialista em Gastronomia. Escreve toda semana neste espaço.  

 

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