Fabiana Araújo, esposa e sócia de Felipe, foi a primeira pessoa a aderir à proposta
Fabiana Araújo, esposa e sócia de Felipe, foi a primeira pessoa a aderir à propostaFoto: Felipe Lorega/ Divulgação

As recentes denúncias de mulheres contra histórias de abuso sexual nos Estados Unidos e em outras partes do mundo vêm ampliando o debate em torno do tema. A crescente mobilização feminina inspirou o fotógrafo pernambucano Felipe Lorega a criar uma série fotográfica com mulheres, para dar ainda mais visibilidade ao assunto. Compartilhadas com a hashtag #eudissenaoporra, as imagens alertam para os casos de assédio, que tendem a aumentar durante o período de Carnaval.

Felipe conta que passou a enxergar o problema com outros olhos a partir de sua experiência profissional. "Entre outros trabalhos, faço ensaios sensuais com mulheres. Por isso, acabo recebendo algumas mensagens de homens no Instagram, que confundem o meu perfil com o das próprias modelos. Claro que sei que o assédio existe e é comum, mas confesso que fiquei impressionado com as coisas que li", conta.

A primeira pessoa a aderir à proposta foi sua esposa e sócia, a produtora Fabiana Araújo, que tratou de reunir outras mulheres para o projeto. "Depois que colocamos as fotos na internet, apareceu um monte de gente querendo participar também. Ao todo, foram 40 fotografadas. São pessoas de todos os tipos, algumas mais novas, outras mais velhas. Não delimitei um perfil", explica Felipe. Nas imagens, as modelos surgem em um fundo preto, cobertas de tinta e purpurina no corpo. A ideia segue o rastro de outras campanhas semelhantes, como a "Não É Não", lançada no Carnaval do ano passado e abraçada por foliãs de todo o Brasil.




 Embora as reações à campanha tenham sido majoritariamente positivas, algumas críticas não deixaram de ser apontadas nas redes sociais. "Há outro lado, incômodo para algumas, que é o fato de ter um homem por trás disso tudo. No entanto, nossa grande preocupação sempre foi que o foco não se voltasse para eles. Buscamos trazer o protagonismo para nós mesmas, e colocamos nossa cara e expressões nesse trabalho", defende Fabiana. O fotógrafo explica que sua intenção nunca foi se tornar protagonista da causa.

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"Tenho a consciência de que o que estou fazendo não é uma coisa nova. Há muito tempo, as mulheres estão envolvidas nessa luta, que pertence a elas. Apenas quis fazer o mínimo, ajudando através da fotografia. A proposta é que as mulheres possam usar essas fotos em seus perfis e, assim, passarem essa mensagem", diz.

A auditora fiscal Mariana Amorim foi uma das pessoas que aceitaram pousar para as lentes de Felipe. Para ela, o ensaio é importante por trazer à tona um desconforto sentido na pele de qualquer mulher. "Eu mesma passei por uma situação do tipo, em 2014, durante um bloco de carnaval. O que mais me deixou chocada foi que, quando contei para alguns amigos, muitos deles tentaram relativizar o ocorrido. Por isso, acho válido que os homens também entrem na luta contra o machismo", afirma.

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