João Luiz Vieira, e-mail vieiraluizjoao@gmail.com
João Luiz Vieira, e-mail vieiraluizjoao@gmail.comFoto: Bianca Vasconcellos

Tenho visto muitos amigos que considero ter a mesma ética que a minha e que possuem, mesmo inconscientemente, o compromisso de tentarem ser melhores humanos reclamando que só se ferram, que gente 'ruim' só se dá bem.

Primeiramente, se dar 'mal' não é, a rigor, 'ruim'. É uma oportunidade de morrer ou matar algo que não vem funcionando bem. Hora da pausa, bem precioso em dias recentes. É bom se ferrar? Quando acontece fica tudo escuro, e a vista é um cânion.

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Quem disse, porém, que o conforto de se dar 'bem' sempre é sinônimo de tranquilidade? Talvez o susto seja ainda maior para essas pessoas que não sabem o que é um ferimento, uma cicatriz, um sangramento incessante. De remendo em remendo, a gente vai colando as peças quebradas com pó de ouro.

Tenho um amigo que mudou de profissão. Outro de cidade. Um terceiro de amizade. Um quarto trocou tudo por nada. Um, mais insatisfeito, de sexo. Nessas horas onde as coisas parecem fora do lugar é, precisamente, o momento certo para resignificar o que sobrou da bagunça que os ventos de Iansã provocam e, sim, tende a ser positivo.

E não adianta se matar porque você já deve ter morrido um pouco por dentro. Morrer vivo é sempre a melhor solução para uma crise, e crise exige recomeço. Se valer como dica, faça um check list do que você era, mergulhe para dentro e vasculhe os restos do que ainda pulsa. De repente surge um encontro entre o que parte e o que chega. Dentro de você.


* João Luiz Vieira, 47, é jornalista, roteirista, letrista e educador sexual, ou sexólogo, como preferir. Ele tem dois livros lançados como coordenador de texto: “Sexo com Todas as Letras” (e-galáxia, fora de catálogo) e “Kama Sutra Brasileiro” (Editora Planeta, 176 páginas). É sócio proprietário do site paupraqualquerobra.com.br e tem um canal no YouTube: sexo_sem_medo.

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