'Masha' Alyokhina, do Pussy Riot, lança no Recife seu livro de memórias na prisão
'Masha' Alyokhina, do Pussy Riot, lança no Recife seu livro de memórias na prisãoFoto: Pussy Riot/Divulgação

Depois de ter passado por São Paulo e Rio de Janeiro, chega ao Recife a ativista russa Maria Alyokhina, a Masha, membro do coletivo Pussy Riot. Famosa por ter ficado dois anos presa numa colônia penal nos Urais (após participar de uma manifestação contra o presidente Vladmir Putin, dentro de uma igreja ortodoxa em Moscou), ela vem ao Recife lançar seu livro "Riot Days".

O evento acontece nesta quinta-feira (07), no Cinema São Luiz, com apoio da Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE), e contará com uma roda de conversa com o Coletivo Liberta Elas e a Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas (Renfa) e a exibição do filme "Act and Punishment", de Yevgeni Miita - que aborda a história do feminismo russo, as atitudes restritivas às mulheres, a proximidade entre Igreja e Estado e os primeiros clipes da Pussy Riot.

Leia também:
Rosto de Bolsonaro feito de lixo estampa pôster da banda russa Pussy Riot no Brasil
Livro sobre prisão da banda russa Pussy Riot será lançado no Recife
Bloco feminista 'Amor Livre' cai no passo no Bairro do Recife


Na época de sua prisão, Masha era estudante do quarto período de Jornalismo, em Moscou, e já era escritora, com um livro de poesias publicado. Tem um filho de 11 anos, Filip, e além de ativista do feminismo, ela participou de protestos ambientais junto ao Greenpeace, também na Rússia. É vegana e, quando estava presa, entrou em colapso diversas vezes, porque na prisão só ofereciam refeições com ingredientes animais.

Seu livro relata de forma alucinada e apaixonada o protesto punk realizado contra Putin, no qual cantou (junto com as também artistas e ativistas Nadezhda Tolokonnilova e Ekaterina Samutsevich) uma música com o refrão "Chase Putin Away", que pode ser traduzido livremente como "Bote Putin pra Correr", e seu cotidiano na prisão, onde foi submetida a trabalhos forçados.

Após serem condenadas, as integrantes do Pussy Riot viralizaram nas redes sociais de todo o mundo, e milhares de manifestantes passaram a usar balaclavas coloridas, clamando pela liberdade delas. Hoje, integram o projeto Mediazona, que se dedica a ajudar prisioneiros políticos e denunciar a violação de direitos humanos por meio da polícia, da Justiça e do sistema prisional, e que se tornou uma das mídias mais influentes na Rússia.
"'Riot Days' é meu manifesto punk, e é importante poder partilhar isso com os brasileiros. Na semana passada, nos apresentamos em São Paulo com Linn da Quebrada, e foi inesquecível", disse Masha à reportagem da Folha de Pernambuco. Para ela, há muitos aspectos em comum entre o Brasil e a Rússia. "Às vezes eu sinto que somos mais próximos dos brasileiros de que dos nossos vizinhos europeus, e tem sido natural para mim contactar e me fazer entender pelo público daqui", afirma.

Ela também se diz tocada pelos relatos que tem ouvido de ex-prisioneiras locais. "Na Rússia e no Brasil não há um real sistema de ressociabilização após a prisão. Não se consegue achar emprego, e muitas vivem em condições terríveis", lamenta.


O livro de Masha estreou na Austrália e no Reino Unido, em 2017, e na sequência foi levado para os Estados Unidos, Canadá, França, Japão, Alemanha, Suécia, Hungria e República Tcheca. No Brasil, foi traduzido diretamente do russo pela jornalista Marina Damaros, doutoranda em Cultura e Literatura Russa pela Universidade de São Paulo (USP).

Publicado pela editora Hedra e com preço de capa de R$ 69, ele será vendido no evento por R$ 55 e os primeiros 300 exemplares virão acompanhados por dois cordéis da coleção Pandemia, publicados pela mesma editora. A Pandemia traz textos de mulheres (médica, mãe de santo, administradora de empresas, educadora social e ex-consumidora de crack) que passaram pela prisão e relatam diferentes trajetórias a partir dessa experiência. Na banca da Distro Dysca (plataforma de propagação filosófica e agitação política) será possível adquirir diversas publicações independentes.

A entrada no evento é gratuita, mas os ingressos serão distribuídos até o final da lotação.
Serviço
Lançamento do livro "Riot Days", de Maria Alyokhina 
Quando: 07 de fevereiro de 2020
Onde: Cinema São Luiz - rua da Aurora, 175, Boa Vista
17h30 - Roda de conversas
19h - Exibição do filme "Act and Punishment", de Yevgeni Miita
20h30- Debate com mediação de Ingrid Farias (Renfa) e participação de membras do Pussy Riot
21 - Sessão de autógrafos de lançamento do livro "Riot Days" e dos cordéis Pandemia

 

veja também

comentários

comece o dia bem informado: