'É um festival para ver, ouvir e ler a literatura de uma maneira mais prazerosa', diz o curador Luciano Pontes
'É um festival para ver, ouvir e ler a literatura de uma maneira mais prazerosa', diz o curador Luciano PontesFoto: Divulgação

Fundamental na formação do indivíduo, o hábito da leitura na infância permite ampliar a imaginação e despertar o senso crítico na criança, criando os alicerces de um adulto capaz de interpretar efetivamente o mundo que o cerca. Em Pernambuco, iniciativas ligadas à literatura infantil trazem novas oportunidades para produzir, conhecer e vivenciar esse campo. É o caso do Festival Internacional de Literatura Infantil de Garanhuns (Filig), que realiza sua culminância a partir da próxima quinta-feira, do trabalho de ilustradores como Rosinha e Joana Velozo e da produção de editoras locais, com destaque para a Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), que conta atualmente com 53 títulos infantis e infantojuvenis em seu catálogo.

"Um povo em forma de histórias". O tema escolhido para o Filig 2018 homenageia a cultura indígena, um dos pilares fundamentais da identidade brasileira. Será a quarta edição do festival, que se destaca por ser o único do gênero no Brasil e pelo fato de ser realizado no interior do Nordeste. Com programação inteiramente gratuita e voltada para o público infantil e seus familiares, e também para os "mediadores de leitura" (professores e estudantes de cursos como Letras e Pedagogia), o evento deve atrair um público de cerca de três mil pessoas.

"É um festival para ver, ouvir e ler a literatura de uma maneira mais prazerosa. Vai haver uma exposição superbonita dentro do Parque Ruber Van Der Linden, e também oficinas, bate-papos com os autores... É o jeito que encontramos de aproximar as famílias e ajudar as crianças a formar laços afetivos com os livros e com a literatura", adianta o curador do Filig, Luciano Pontes, que é escritor e ilustrador de obras infantis.

Impostos reinvestidos 

Um ponto curioso do Filig é o fato de ser integralmente financiado pela Lei de Incentivo do Ministério da Cultura (Minc), através da renúncia fiscal realizada pela empresa Ferreira Costa, cuja matriz fica em Garanhuns. "O aporte, de cerca de R$ 500 mil, é 100% retirado dos impostos da empresa, que além de patrocinar tem o diferencial de ser a idealizadora do projeto. Isso é muito raro de se ver, pois geralmente as empresas não querem trabalhar, participar do conteúdo. Dão preferência a eventos onde consigam expor sua marca com destaque e não se preocupam com o impacto social das ações que estão patrocinando", comenta a gerente de Marketing da Ferreira Costa, Flávia Chiba.

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A diretora da empresa, Pietra Costa, que está à frente do projeto desde o início, confirma a intenção. "Há quase vinte anos, quando surgiu essa possibilidade, a gente vem se preocupando em saber para onde destinar esse recurso. Resolvemos investir em algo que fosse em Garanhuns, fazer com que o dinheiro fique aqui e patrocine ações mais efetivas, palpáveis, contínuas. Criando um legado, mesmo", diz ela.

Maria Chaves, Pietra Costa e Flávia Chiba: busca por ações contínuas

Maria Chaves, Pietra Costa e Flávia Chiba: busca por ações contínuas - Crédito: Arthur Mota/Arquivo Folha

Junto com a empresa de marketing cultural Proa, o projeto foi idealizado, e vai muito além dos três dias abertos ao público. Ao longo de todo o ano, são realizados seminários voltados para professores da rede pública de ensino de Garanhuns e para alunos da Unidade Acadêmica de Garanhuns da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UAG-UFRPE). As instituições são parceiras locais da Ferreira Costa, que também conta com o apoio do Serviço Social do Comércio (Sesc). "O que a gente chama de festival é uma ação que se desenvolve o ano todo com a comunidade escolar", resume Luciano Pontes.

Experiências riquíssimas devem acontecer durante o evento, que trará escritores e ilustradores que estão envolvidos pela influência indígena em suas obras, como Vanina Starkoff, da Argentina, e os brasileiros Yaguarê Yamã (Amazonas), Rita Carelli (São Paulo), Marilda Castanha (Belo Horizonte) e Cristino Wapichana (Roraima). Membros das etnias Xucuru, Pankararu e Fulniô, que resistem em Pernambuco, vão participar do evento e promover oficinas de percussão e produção de instrumentos musicais, além de um ritual surpresa.

Também vão se apresentar os grupos Pé de Vento e Fada Magrinha, e vai haver feira de livros. "Será uma programação plural que deve mobilizar o público leitor, os professores e as editoras", conta a produtora-executiva da Proa Cultural, Maria Chaves.

Como resultado das edições anteriores, além de reforçar o amor das crianças da região pela leitura, está havendo até mesmo o surgimento de novos autores. "Há um ateliê exclusivo de narrativa, voltado para quem quer criar. Neste ano, tivemos a grande alegria de ver um livro pensado dentro do Filig de 2016, 'Dianimal', de Alexandre Revoredo, ser lançado pela Cepe", comemora Luciano Pontes.

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