Escritora Miheliny Verunschk
Escritora Miheliny VerunschkFoto: Divulgação

 Pelo terceiro ano consecutivo, a pernambucana Micheliny Verunschk, de 47 anos, está concorrendo ao Prêmio Rio de Literatura, um dos mais conceituados do País. Mais recente que outros prêmios brasileiros (caso do decano Jabuti, criado em 1959), o Prêmio Rio está em sua quinta edição e, neste ano, oferece aos vencedores das categorias Prosa de Ficção, Ensaio e Poesia a bagatela de R$ 100 mil. Em 2019, foram 701 concorrentes, sendo 123 deles autores já publicados por 27 editoras.

Trinta escritores profissionais disputam o prêmio nacional. Dentre estes, Micheliny concorre com o também pernambucano Ronaldo Correia de Brito, ambos na categoria Prosa de Ficção. "Mesmo não ganhando, é uma chancela. Acho que a principal função dos prêmios é dar visibilidade aos livros", afirma Micheliny, que foi comunicada da decisão do júri há alguns dias, mas ainda não tem previsão de quando sairá o resultado final (possivelmente, no começo de 2020). A indicação foi dada a "O Amor, esse obstáculo" (2019), terceiro volume de uma trilogia composta também por "Aqui no coração do inferno" (2017) e "O peso do coração de um homem" (2018), ambos indicados ao mesmo prêmio. 

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"São duas histórias contadas em paralelo. A história de uma menina, filha de um delegado de polícia, que busca descobrir a verdade sobre a morte da mãe e, nesse processo, acaba descobrindo os crimes praticados pelo pai durante a ditadura militar. Ao mesmo tempo, o pai dela prende um menino acusado de canibalismo. As narrativas se passam nessas duas instâncias e se intercruzam", descreve. Os três livros são independentes entre si. "É possível ler um sem ter lido o outro, e dá para começar por qualquer um deles", detalha.

A temática pesada, voltada ao tempo da ditadura militar, para Micheliny, se manifestou como uma necessidade que também afetou outros escritores, cineastas e artistas. "Eu comecei a escrever a trilogia por volta de 2013. A gente vivia outro momento político, mas onde se pressentia o começo do processo que descambou no que hoje está aí. Havia uma necessidade não particular, minha e de vários criadores, de procurar entender esse momento histórico da ditadura e dos anos da redemocratização", relembra.

Para a poetisa e escritora, é importantíssimo revirar o baú da memória. "O trabalho ficcional não é ensinar nada a alguém, mas ele também se presta a isso. A ficção não deve ser didática nem panfletária, mas serve para pensar sobre nosso tempo e nossas escolhas, como povo. Porque o fascismo só cresce quando os povos mergulham na ignorância a respeito de quem são e de onde vêm. Assim, a repressão e a censura são inócuos, porque as pessoas vão continuar encontrando os meios de fazerem seus livros", finaliza. 

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