Lucilo Varejão Neto será empossado na APL em janeiro
Lucilo Varejão Neto será empossado na APL em janeiroFoto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

Prestes a completar 119 anos, a Academia Pernambucana de Letras (APL) tem, a partir desta segunda (25), um novo presidente. Eleito em candidatura única e consensual, o escritor e professor universitário Lucilo Varejão Neto deverá ocupar o cargo, que há quatro anos vinha sendo exercido por Margarida Cantarelli.  A vice presidência será ocupada pela acadêmica Luzilá Gonçalves Ferreira. A posse da nova diretoria deverá acontecer em janeiro, quando a APL completa aniversário. A Folha de Pernambuco falou com Lucilo e Margarida sobre esse processo de transição e o momento privilegiado pelo qual a APL vem passando, após ter sua sede requalificada e criado novas formas de atrair o público.


Margarida Cantarelli
Como enxerga a sua atuação frente à APL?

Foi um grande desafio. As instituições culturais precisam se transformar para se ajustarem aos tempos atuais. E toda transição é mais difícil. Estamos em 2019, precisamos focar nas atividades do século 21, e isso envolve também transformações nos espaços físicos. A gente sabe que há uma escassez de recursos nessa área, então tem sido necessária muita criatividade para fazer essas modificações com o menor custo, o que conseguimos. Agora, o que me deixou extremamente gratificada foi a aceitação da APL junto aos diversos segmentos da sociedade. Estudantes, pessoas mais idosas têm comparecido aos eventos e se sentem bem estando na Academia. Esse acolhimento que a gente está conseguindo dar às pessoas aproxima cada vez a sociedade da Academia. Essa transformação foi nosso grande desafio, mas sinto que já colhemos alguns frutos bem positivos. Agora mesmo vai aconter a Feira de Literatura Infantil (Flitin), promovida pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). É algo muito importante e bonito, porque você vê as crianças buscando a literatura. Esse é um caminho de criatividade, que é o papel da Academia. Nossa função é chegar àqueles que apreciam a literatura.
Qual, em sua opinião, foi sua maior contribuição?

Eu tive a oportunidade de implementar esse novo momento e ajudei a colocar a Academia no mundo atual. Isso fez com que todas as outras coisas tenham acontecido. Para realizar uma série de ações, era preciso ter um espaço físico adequado, um lugar acolhedor. Era preciso chamar as pessoas, ter algo a oferecer. O espírito que nos moveu foi trazer a Academia para a atualidade, após todas as transformações ocorridas na sociedade.

A ligação com a APL continua?

Estou disposta a auxiliar a Academia, como faço com o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. Porque essas instituições precisam de pessoas que voluntariamente queiram contribuir. Também vou continuar com minhas atividades profissionais, como professora da Faculdade de Direito Damas, agora com maior intensidade, já que agora espero ter um pouco mais de tempo. Fiquei quatro anos à frente da Academia. O mandato é de dois anos e, como estabelece o estatuto, só é possível haver uma recondução ao cargo. Acho muito importante esse rodízio nas instituições, porque cada um traz a sua visão, a sua contribuição, a sua experiência. A soma das contribuições é que faz o sucesso de uma gestão. A abertura e a capacidade de aceitar sugestões.

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Lucilo Varejão Neto
Quais seus planos de atuação frente à APL?

A Academia, no momento, é muito movimentada. Nós vamos dar continuidade ao que vem sendo feito já há vários anos. Tivemos excelentes presidentes, como Waldenio Porto, Fátima Quintas e, agora, Margarida Cantarelli. Então, haverá essa continuidade. Um dos meus objetivos é fazer com que o museu seja mais acessível às pessoas. Nós temos um belíssimo museu do século XIX e já trabalhamos com as escolas, principalmente com as públicas, além de algumas privadas. Nós vamos, também, tentar movimentar a nossa biblioteca, que tem um acervo riquíssimo. Vamos dar seguimento ao projeto de música aos domingos, sob a coordenação da acadêmica Eliana Caldas... Mas creio que não haverá grandes mudanças. Vamos prosseguir o trabalho que vinha sendo feito e criar, na medida do possível, cursos como os que foram oferecidos recentemente, para que a população possa ter acesso à Academia e aos acadêmicos.

O senhor entrou na APL em 2010, ocupando a vaga que já havia sido do seu pai, Lucilo Varejão Filho, e do seu avô, Lucilo Varejão. Diante da grande ligação com a Academia, como está se sentindo ao tornar-se presidente dela?

Para mim, assumir a presidência é uma honra muito grande, afinal a Academia Pernambucana de Letras é um expoente da Literatura em Pernambuco. É uma das academias mais antigas do Brasil e tem uma tradição muito forte em todo o País. Portanto, é uma honra imensa poder servir à Academia, assim como fizeram outros acadêmicos ilustres antes de mim. 

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