Djavan lança "Vesúvio", disco pop
Djavan lança "Vesúvio", disco popFoto: Nana Moraes/Divulgação

Com o rosto pintado de preto e detalhes dourados, Djavan estampa a capa de seu 24º álbum. As cores tem ligação direta com o nome do novo trabalho: "Vesúvio". Remetem às cinzas e ao magma do vulcão italiano responsável pela destruição das cidades romanas de Pompeia e Herculano, arrebatador, como o amor descrito na faixa-título do disco. O lançamento ocorre nesta sexta-feira (23), nas plataformas digitais e em formato físico - CD e LP -, levando ao público 12 canções inéditas.

Gravado entre julho e setembro deste ano, "Vesúvio" é uma obra pop, com algumas faixas mais dançantes e outras abertamente românticas. "Minha carreira é baseada numa formação com foco na diversidade. E a música pop, de um modo geral, não tem muita essa ligação. Mas fiz esse disco pensando em algo mais fluido, no sentido das canções e das mensagens", afirma Djavan, em entrevista à Folha de Pernambuco. O cantor alagoano de 69 anos frisa que, ao abraçar o pop, não está recorrendo a uma musicalidade simplória. "Pode ser um pop com alguma sofisticação e complexidade também", defende.

A incursão do artista pelas melodias do pop não exclui a existência de um discurso político mais contundente neste trabalho. Em músicas como "Cedo ou tarde" e "Solitude" é nítido o sentimento de perplexidade com os rumos do Brasil e do mundo. "Tudo vai mal/Muito sal/Nada vai bem/Pra ninguém/Nessa pressão/Quem há de dar a mão/Pra que o mundo/Saia lá do fundo/Pra respirar/E não morrer?", canta o alagoano em "Viver é dever".

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"Acho que o mundo já chegou no fundo do poço com relação às suas mazelas e suas encrencas, essa coisa da imigração, dos povos deixando os seus países por falta de condições de vida psicológica e material. E o Brasil, sobretudo, tão dividido e polarizado. É uma coisa louca. E eu falo disso tudo, mas de maneira otimista, desejando um futuro que realmente mereça o povo brasileiro", diz.

A relação de Djavan com a natureza segue em alta nesse novo disco. O compositor de "Oceano", "Flor de Lis" e "Pétala", volta a fazer alusões a elementos do meio ambiente em faixas como "Vesúvio", "Madrissilva", "Entre outras mil" e, principalmente, o samba "Orquídea", em que brinca com os nomes científicos de pelo menos 15 espécies da planta. "Minha ligação com a natureza vem desde Maceió, quando era garotinho. Sou apaixonado pela mata, mais do que pelo mar. Se me jogarem dentro de uma floresta, eu fico lá como se fosse minha sala de estar", conta.

Capa de

Capa de "Vesúvio" traz Djavan com o rosto pintado - Crédito: Nana Moraes/Divulgação



"Vesúvio" conta ainda com uma faixa-bônus. "Esplendor de amor", que surge no fim do disco, é uma versão em espanhol da inédita "Meu romance", assinada pelo cantor e compositor uruguaio Jorge Drexler, que divide os vocais com Djavan. "Tive a ideia de convidar o Jorge porque o considero um grande artista, que compõe e canta muito bem. Ele fez acabou fazendo uma versão quase literal da minha música, cantou a parte dele lá, gravou e mandou para mim. Pretendemos lançar, em algum momento, um clipe com os dois cantando juntos", promete.

As parcerias não são uma constante na trajetória do músico alagoano. Prefere o voo solo, criando letras, músicas e arranjos sozinho. A última a cantar com ele foi Cássia Eller, em “Milagreiro” (2001). "A parceria para ocorrer tem que se justificar. É preciso haver certa intimidade com o parceiro, alguma convivência e admiração mútua para que a gente possa se entender com naturalidade. É uma coisa muito rara de acontecer", explica. Essa autossuficiência também está presente na hora de produzir. Desde que montou sua própria gravadora, a Luanda, em 2001, o artista ganhou ainda mais independência em seu trabalho.



"Faço questão de lançar discos físicos, que as grandes gravadoras até nem estão mais querendo fazer. Custa uma fortuna produzir um disco e você não tem o retorno desse investimento. Com a Luanda, eu posso fazer parcerias. Esse disco, por exemplo, está sendo lançado com a Sony. Eu banco o disco e a Sony, o marketing e a distribuição. Mas não abro mão do CD, porque tenho um público que gosta de ter e manusear as informações dos encartes", aponta.

Com o novo projeto chegando aos fãs, o alagoano já planeja a turnê do álbum. A estreia é prevista para o dia 22 de março do próximo ano, no Rio de Janeiro, com a mesma banda que acompanhou o músico nas gravações, composta pelo guitarrista Torcuato Mariano, os pianistas Paulo Calasans e Renato Fonseca, o baixista Arthur de Palla e o baterista Felipe Alves. O show deve chegar ao Recife em maio, quando o cantor passa pelo Nordeste.

 

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