Pabllo Vittar
Pabllo VittarFoto: Divulgação

Ele ou ela? Isso não já importa mais para Pabllo Vittar. Já importou um dia, quando ainda era criança e a feminilidade lhe era atribuída de forma negativa. Porque, àquela altura, homem devia ser macho e os traços de mulher eram um insulto. Não que tenha mudado. Ela foi quem mudou. Hoje, aos 25 anos, ser um homem feminino é o seu maior trunfo. O fato de performar como drag queen lhe dá a possibilidade de vivenciar o melhor de todos os seus lados: seja explorando os conceitos de beleza, por vezes os reinventando, seja vivendo a sua masculinidade sob outra perspectiva, muito mais sensível e desconstruída. Pabllo não existe sem ele. Também não seria possível sem ela. Neste sábado, Pernambuco terá oportunidade única de conferir a estreia de "NPN 2.0", nova turnê da artista. A festa, que leva a assinatura da produtora Golarrolê, ocorre no espaço batizado de Vittarland, que será montado no Memorial Arcoverde, na avenida Agamenon Magalhães, na divisa entre as cidades de Olinda e Recife. Por aqui, apresenta os sucessos pelos quais ficou conhecido e as apostas de hit do novo álbum, batizado de "111", que já tem parte disponível ao público nas plataformas digitais.

É a dualidade que faz Pabllo ser sucesso absoluto no Brasil e no mundo. O mais recente reconhecimento veio no MTV Europe Music Awards de 2019 (EMA), no qual abocanhou o prêmio de “Melhor Artista Brasileiro”. A coroação de uma carreira que começou a ganhar notoriedade em 2015, com a música "Open Bar". Desde lá, Pabllo deu start a um caminho pautado pelo profissionalismo e, sobretudo, construção. Nada caiu do céu. Tudo envolveu muito esforço e, hoje, a artista celebra o fato de ter ajudado a colocar não só a arte drag, mas a comunidade LGBTI+ no centro de um debate que envolve respeito e direitos básicos. 

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Pabllo Vittar, ao buscar inspirações em divas do pop mundial, a exemplo de Whitney Houston, em grandes nomes da música brasileira e também em ícones da arte drag, como RuPaul, deu origem a uma fórmula jamais vista antes no Brasil: uma drag queen que sai da posição da graça, do humor, daquele formato feito para o público sorrir, e assume protagonismo com a sua música. Não é demais dizer que Pabllo promoveu uma revolução sensível, pautada no respeito. Confira, abaixo, a entrevista que ela concedeu à Folha de Pernambuco. 



Folha de Pernambuco - Conta um pouquinho do início da sua carreira e das suas inspirações na arte drag.
Pabllo Vittar: Tudo que aconteceu até hoje em minha carreira envolve muita luta e muito trabalho! Já são três álbuns com o recente lançamento da primeira parte do EP “111”. Sou grata por alcançar tantos lugares com a minha música. São diferentes línguas e públicos, que resultaram em diversos presentes e sonhos desde o reconhecimento em si até o troféu no MTV EMA como “Melhor Artista Brasileiro”. Sobre as referências drag, não posso deixar de destacar a RuPaul durante a minha adolescência. Além dela, também temos muitas artistas LGBTQ+ no Brasil que são referência para mim e para muitos, assim como a Liniker (Amo!).Folha de Pernambuco - Você é vítima de várias fake news. Algumas tão bizarras que até viram memes. Como você enxerga esse movimento em relação a você e como você faz para manter a calma diante das notícias falsas?

Pabllo Vittar: Fake news é algo bizarro e até criminoso. É preciso muito cuidado quando vocês leem as coisas, não acreditem em tudo que é dito para vocês.

Folha de Pernambuco - Você ganha cada vez mais destaque no momento em que o Brasil vive esta sombra conservadora. O que isto representa para você?

Pabllo Vittar: Que nem tudo está perdido e que devemos insistir na tolerância, no respeito e no amor. Eu sempre peço a Deus pela segurança das minhas manas, assim como a de minha família e fãs. Precisamos estar unidos e nos mostrarmos ao invés de abaixar a cabeça.

Folha de Pernambuco - A sua carreira é marcada por muito esforço e construção. Você tem chegado ao topo com muita serenidade. É um processo difícil quando se tem milhões de fãs. Como você faz para manter a sanidade?

Pabllo Vittar:
Eu sempre tive muito pé no chão e conto com uma equipe e fãs maravilhosos ao longo desse processo. Isso é fundamental. Também tenho consciência da responsabilidade do meu trabalho e amo o meu público, o que não teria nem como ser diferente.

Folha de Pernambuco -
É estratégico começar a turnê pelo Recife? E mais: qual é a sua relação com a cidade?

Pabllo Vittar: Amo o povo de Recife, que sempre me recebe com muito amor. Esse é o primeiro show no Nordeste desde o lançamento da primeira parte de “111”. A estreia da turnê foi em SP, durante o Halloween que fiz na Audio.

 

Pabllo transita entre o feminino e o masculino

Pabllo transita entre o feminino e o masculino - Crédito: Divulgação

Folha de Pernambuco - Defina "111".

Pabllo Vittar: Um momento feliz, realizador, de ressignificação, amadurecimento e de muitas surpresas.

Folha de Pernambuco - "111" já teve a sua primeira parte divulgada. Já fica claro que é um álbum trilíngue. Qual a sua relação com as línguas?

Pabllo Vittar: As diferentes línguas fazem com que o objetivo e as mensagens de minhas músicas possam atingir mais pessoas, sem fronteiras. Isso é maravilhoso!

Folha de Pernambuco - Você tem bebido bastante nas fontes dos ritmos nordestinos. Conta quais são as suas inspirações e também a importância para você de incluir essas pegadas nas suas músicas.

Pabllo Vittar: A minha música tem uma pluralidade muito forte dentro do pop, com referências nas minhas origens. Acredito que isso é essencial. Sou uma drag queen brasileira que canta músicas para animar os corações de todas as pessoas. Minha música é para todos.

Folha de Pernambuco - Sua carreira tem decolado. O que ainda está nos planos e sonhos e você ainda não conseguiu realizar?

Pabllo Vittar: A minha maior vontade é sempre levar as minhas músicas com alegria para todas as pessoas. E o que vem depois disso é consequência...

Folha de Pernambuco - Da antiga e da nova geração musical brasileira, quem te inspira? E do exterior?

Pabllo Vittar: Admiro muito as músicas nas vozes de Whitney Houston, Elza Soares, entre outras. Também escuto artistas LGBTQ+, como a Liniker aqui do Brasil e até mesmo a RuPaul, minha grande ídola. Amo!

Serviço

Estreia da turnê "NPN 2.0" - Pabllo Vittar no Recife
Pabllo Vittar, Ara Ketu, Eduarda Alves e DJs Allana Marques, Xande Medeiros e Iury Andrews
Neste sábado, 9 de novembro, às 22h
Na Vittarland (Memorial Arcoverde, av. Gov Amagemon Magalhães, s/n)
Ingressos: a partir de R$ 50.   

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